segunda-feira, 15 de abril de 2013

"Reeleição a qualquer custo", por Rogério Furquim Werneck




Episódio de Julio Verne ajuda a realçar a inconsequência do vale-tudo adotado pelo governo, de olho em 2014.

Pensando no imediatismo e na inconsequência que vêm marcando a condução da política econômica no país, por conta da precoce fixação do Planalto na reeleição, lembrei-me de uma passagem marcante de um livro que li há mais de 50 anos.

Sou da época em que crianças ainda liam Julio Verne. Assim mesmo, com prenome aportuguesado, como o autor era conhecido por aqui. “A volta ao mundo em oitenta dias”, publicado em 1873, é um dos seus livros mais famosos. Conta as aventuras de Phileas Fogg, um solteirão inglês rico e excêntrico, que aposta com outros sócios de seu clube que poderia fazer uma viagem ao redor do mundo e retornar a Londres em apenas 80 dias. Bastam dois parágrafos curtos para situar, no enredo, o episódio de que me lembrei.

Fogg cruza a Europa e a Ásia, atravessa o Pacífico e segue, por trem, de San Francisco a Nova York. Mas não chega a tempo de embarcar no navio em que pretendia retornar à Inglaterra. E aí se vê em dificuldades. Os navios que estavam prontos para zarpar não eram suficientemente rápidos. Os que eram, não sairiam a tempo de Nova York. Mas Fogg afinal descobre o Henrietta, um cargueiro que parecia adequado, prestes a partir vazio para Bordeaux. Era um navio típico do período de transição da navegação a vela para a vapor. Já tinha propulsão a vapor, mas ainda era dotado de velas. E, afora o casco de aço, a caldeira e a máquina a vapor, era todo de madeira.

Fogg embarca no Henrietta e consegue desviá-lo para a Inglaterra, graças a um motim por ele fomentado. Mas a travessia acaba tendo de ser feita em meio a uma tempestade. E logo fica claro que o estoque de carvão do navio, dimensionado para uma travessia calma de Nova York a Bordeaux, era insuficiente para a viagem a todo vapor, em mar revolto, que estava sendo empreendida.

É nesse ponto que vem o episódio que me veio à mente (capítulo 33, para quem se interessar). Com o carvão prestes a acabar, Fogg convence o capitão, a quem o navio pertencia, a lhe vender o Henrietta. E, para manter a pressão da caldeira, ordena que todas as partes em madeira do navio sejam desmanteladas e lançadas à fornalha. Quando, afinal, o Henrietta chega às Ilhas Britânicas, só lhe restam o casco, a caldeira e máquina a vapor.

A ideia de um navio que vai sendo desmantelado, para que seus pedaços sejam usados como combustível que o mantém em movimento, propicia excelente metáfora para perceber com mais clareza o que hoje vem ocorrendo no país. Ajuda a realçar o que há de mais errado na forma inconsequente com que a presidente Dilma Rousseff vem tentando assegurar sua reeleição a todo custo, em frenético vale-tudo.

Não há espaço aqui para um balanço de tudo o que já foi desmantelado para avivar a fornalha da reeleição. Mas uma lista curta teria de incluir o controle da inflação, a credibilidade do Banco Central e previsibilidade da política fiscal. Num quadro em que o dispêndio público continua a mostrar rápida expansão, já não se tem mais ideia do que será o resultado fiscal de 2013, deixado agora ao sabor de pacotes de desoneração anunciados de improviso, a cada mês, em desesperada tentativa de mascarar a inflação com medidas que implicam inflação mais alta no futuro.

Merecem ainda destaque o abandono cada vez mais escancarado da ideia de realismo tarifário — como bem ilustram a insistência na política de preços de derivados de petróleo — e a decisão populista de não repassar, aos consumidores, o custo mais alto da energia elétrica proveniente das térmicas. E há, também, outras conquistas valiosas, como a solidez dos bancos federais, sendo consumidas na fornalha da reeleição. A inconsequência na gestão da Petrobras e do pré-sal não pode deixar de ser mencionada. Mas tem mais a ver com o vale-tudo anterior, que marcou a travessia do biênio eleitoral de 2009-2010.

Faltam hoje 560 dias para o segundo turno das eleições presidenciais. Uma travessia de 80 semanas. E ainda há muito o que queimar a bordo. Mas em que estado estará o nosso Henrietta no final de outubro do ano que vem?

Fonte: O Globo

A inflação à espreita



Confrontado com uma inflação de 6,59% nos últimos doze meses, o governo parece ainda não ter percebido a gravidade da informação. Por meio de seus representantes, alegou que se tratava de uma elevação sazonal, sob controle, concentrada nos alimentos, e em breve os índices voltariam para abaixo do teto da meta do Banco Central, que é de 6,5%.

Por exemplo, nas palavras do ministro da Fazenda, Guido Mantega, não seria necessário um “tiro de canhão” para combater a inflação. Bastaria, segundo ele, uma “metralhadora".

Desde o início do governo Dilma Rousseff, a inflação nunca esteve abaixo do centro da meta estipulada pelo BC, que é de 4,5%.

A história brasileira, entretanto, tem sido cruel com todos os governantes que menosprezaram o potencial da inflação:

Em 1977, à porta de mais um longo surto inflacionário, o então ministro da Fazenda, Mario Henrique Simonsen, disse que a alta de preços se circunscrevia aos alimentos, a mesma justificativa de hoje.

Em 1983, o então presidente do Banco Central, Affonso Celso Pastore, previu que a inflação baixaria “em agosto”. Só em torno de agosto de 1994 os preços de fato se estabilizaram, com o Real.

Neste 2013, um alimento, o tomate, por ter aumentado 122% em um ano, foi tido como o vilão da alta dos preços. Mas é preciso considerar também os aumentos da batata (97%), cebola (76%), arroz (30%) e feijão-preto (25%), entre outros.

Mas a inflação, na verdade, é muito mais dura com a parcela mais pobre da população. Como os aumentos de preço têm atingido, sobretudo, os alimentos, a inflação para a baixa renda está em torno de 13%. O processo inflacionário precisa ser encarado, portanto, como uma chaga social.

Inflação significa perda de poder de compra. Um dos setores que mais cresceu nos últimos 10 anos, o dos supermercados varejistas, teve queda nas vendas de 2,1% em fevereiro deste ano em comparação com o mesmo mês em 2012.

Entre as famílias de renda mais pobre, a queda nas vendas foi de 4%, informou a Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

Todas as armas que o governo tem ao seu alcance para combater a inflação são impopulares: corte de gastos, aumento dos juros e diminuição do crédito. Como se trata de um governo que parece ter como única bússola as eleições e a popularidade, há certa razão para o ceticismo.

O governo tentou forçar a queda dos preços por meio da desoneração de impostos. Com isso, pensava em diminuir o valor de alimentos como carne e manteiga em cerca de 10%. Na média, o preço dos produtos que tiveram os tributos zerados caiu somente 0,5%.

Para colunista do Estado de S. Paulo, Celso Ming, haveria uma chance de o governo evitar uma alta de juros para combater a inflação: ser mais austero e deixasse de valorizar ainda mais o Real. Enquanto isso, ele alerta para o risco de os reajustes inerciais ameaçarem ainda mais o controle dos preços.

O combate à inflação não tem sido o forte do governo nem de seus aliados. Por exemplo, no último ano de José Sarney como presidente do Brasil, 1989, a inflação atingiu inacreditáveis 1.973%. A média por mês foi de 82%.

Entre 1979 e 1994, a inflação acumulada chegou a 13,3 trilhões por cento. Entre 1964 a 1994, a inflação acumulada chegou a 1 quatrilhão e 302 trilhões por cento.

Pelo menos, ao que tudo indica, a população tem estado alerta. Não se convenceu com as desculpas do governo e de maneira bem-humorada mostrou que por trás de aumentos exponenciais do preço do tomate há um risco de descontrole que pode ser letal para os avanços conseguidos nos últimos 20 anos.
Enquanto em países populistas como Argentina e Venezuela a inflação já ultrapassou a casa dos 20%, em nações com governos mais responsáveis a alta de preços não chega a 4%. Ano passado o Chile registrou 1%, a Colômbia,1,8%; o Peru, 2,6%, e o México, 3,6%.

Resta saber para que lado iremos seguir.

Fonte: Assessoria Democratas 

Secretário Aleluia propõe ônibus climatizados para Salvador




O secretário municipal de Urbanismo e Transporte, José Carlos Aleluia, pegou o buzu neste sábado (13). Era por volta das 10 da manhã, quando desembarcou no aeroporto e resolveu voltar para casa de ônibus. O desconforto térmico, causado pelo calor de um dia bastante quente e abafado, foi o principal problema reclamado por ele.
“Foi uma viagem tranquila até a Pituba, onde saltei, mas a falta de climatização dos veículos é um problema para o qual estamos buscando uma solução. Precisamos melhorar a qualidade do serviço de transporte público para desestimular o uso intensivo dos automóveis em nossa cidade”, disse Aleluia.
Segundo ele, a ideia do prefeito ACM Neto é incluir no processo licitatório para a concessão do serviço municipal de transporte público a exigência de que a renovação da frota seja paulatinamente feita com ônibus climatizados. “Essa é uma medida necessária à melhoria do transporte coletivo de Salvador”, afirmou Aleluia.

Fonte: AGECOM