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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Nota do secretário, José Carlos Aleluia, sobre liminar do pagamento fracionado das tarifas nos estacionamentos



O secretário de Urbanismo e Transporte, José Carlos Aleluia, informa que a Lei 8.055/2011, considerada inconstitucional por decisão liminar do juiz Eduardo Almeida Brito, da Sexta Vara da Fazenda Pública, não determinava o fracionamento do pagamento das tarifas nos estacionamentos públicos do município, que, assim como estavam, continuam sendo cobrado com base nas horas de uso.  Aleluia observa ainda que não está na esfera de competência do município legislar sobre o assunto, por isso já não fazia a fiscalização do cumprimento da lei, considerada inconstitucional pela Justiça.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Aleluia rebate prejuízos alegados pelo Setps: ‘Você viu empresa de ônibus falir recentemente?’



A planilha de custos apresentada pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Salvador (Setps) – que garante ter tido, pelo menos, um prejuízo em julho deste ano de R$ 11 milhões – foi questionada pelo secretário Municipal de Urbanismo e Transporte, José Carlos Aleluia. Em entrevista ao Bahia Notícias, o titular da pasta fez uma pergunta simples ao ser interpelado sobre os dados apresentados pelos empresários, em contraponto à planilha da prefeitura, que assegura estabilidade financeira do sistema com a passagem fixada em R$ 2,80. “Não considero plausível [as planilhas]. Um sistema com 18 empresas tendo um prejuízo desta ordem quebraria em três meses. Não temos tido notícias de falências. Você viu alguma empresa de ônibus falindo em Salvador recentemente?”, questionou o secretário. O sindicato patronal afirma que tem operado com custos acima do sustentável e prejuízos mensais, sem a tarifa que alega ser necessária, de R$ 3,20. Os valores apresentados pela prefeitura e Setps (clique aqui para ver os dados da Semut e aqui para conferir os dados do Setps) não trazem os lucros obtidos pelo setor, mas Aleluia ressaltou que o empresários "competentes" sabem ganhar dinheiro. “O bom empresário sabe reduzir os custos e o mal não. O bom empresário gera lucro e o ruim não. O valor de R$ 2,80 é o custo identificado pela prefeitura e definido como tarifa obrigatória. Para lucrar, basta reduzir os custos com uma frota melhor, percursos mais econômicos e eficiência no serviço. Não vamos embutir o lucro do setor no preço da tarifa. Tenho informações de que algumas empresas têm lucrado mais e outras menos”, cogitou.

Na licitação que será divulgada para consulta pública até o final de agosto, a intenção é fazer um choque de ordem no sistema de transporte público e cortar o número de empresas, atualmente 18. “Dividimos a cidade em três áreas e cada uma terá uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), com uma ou mais empresas. Serão formados grupos e é natural que parte das 18 se juntem, mas podemos ter grupos só com companhias de fora, por exemplo”, disse Aleluia, que ainda lembrou a necessidade de o futuro concorrente estar com o nome limpo na praça. “Todas as empresas que participarem terão que apresentar documentos comprovando que estão com impostos quitados, sem débitos com a prefeitura e economicamente estabelecidas e viáveis. A vantagem da licitação para o sistema atual é de que serão grupos novos, sem passivos antigos”, completou. O Bahia Notícias tem tentado entrar em contato com o Setps diariamente, mas segue sem ter uma resposta da entidade. O presidente do sindicato, Horácio Brasil, não retornou às ligações feitas diversas vezes e às mensagens de texto solicitando esclarecimentos sobre a alegação de prejuízos mensais. O assessor de relação sindicais do órgão, Jorge Castro, novamente preferiu não comentar a planilha, alegando que passou a quarta-feira (31) “fora do Setps e não acompanhou a finalização do documento”. A assessoria do sindicato também não retornou às ligações do BN.


Fonte: Bahia Notícias 

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Semut divulga planilha de custos do transporte coletivo



A Secretaria Municipal de Urbanismo e Transporte (Semut) já disponibiliza no site da Transalvador (transalvador.salvador.ba.gov.br) a planilha de custos referente à tarifa atual do sistema de transporte coletivo. A mesma é acompanhada de nota técnica que explica a metodologia adotada (segue anexo).


Os operadores do transporte público por ônibus, por determinação do prefeito ACM Neto, também devem divulgar periodicamente informações econômico-financeiras e operacionais das empresas, bem como planilha de custos, no site (setps.com.br) do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros (SETPS).


quinta-feira, 25 de julho de 2013

ACM Neto diz estar à disposição para receber manifestantes



O prefeito ACM Neto afirmou hoje (25) que continua à disposição para receber integrantes do Movimento Passe Livre (MPL) no Palácio Thomé de Souza. Ele afirmou que aceita dialogar com legítimos representantes do movimento. “Agora, não aceitarei conversar com pessoas que estão na verdade vestindo a camisa de partido político e querendo criar confusão em Salvador, querendo desestabilizar a cidade, e não dialogar”, declarou o prefeito, em entrevista coletiva no gabinete na qual anunciou a implantação do Bilhete Único e ampliação do Domingo é Meia, duas reivindicações do MPL. ACM Neto disse que tem conversado com o líder do governo na Câmara Municipal, vereador Joceval Rodrigues, sobre a possibilidade de receber integrantes legítimos do movimento no dia 8 ou 9 de agosto. Ele lembrou, entretanto, que está à disposição do movimento desde o dia 27 de junho, quando uma manifestação se dirigiu até a frente da Prefeitura para protocolar uma pauta de reivindicações. Naquela ocasião, os próprios manifestantes não chegaram a um entendimento para formar uma comissão com o objetivo de ser recebida pelo prefeito.

Fonte: Politica Livre

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Prefeitura vai implantar novo regulamento para táxis



Uma velha reivindicação dos taxistas será atendida pela Prefeitura de Salvador. O secretário municipal de Urbanismo e Transporte, José Carlos Aleluia, anunciou que, até o dia 30 de julho deste ano, o prefeito ACM Neto publicará o decreto municipal instituindo o novo Regulamento do Sistema de Táxis. A regulamentação vigente é de 1992 e está defasada para as necessidades da categoria.

 A boa notícia foi dada pelo secretário Aleluia durante sessão especial que tratou da situação dos taxistas, realizada na manhã desta quarta-feira (19), na Câmara Municipal. Para fazer os ajustes finais do novo regulamento, o titular da pasta de Transporte cobrou dos líderes da categoria, presentes, a formação de uma comissão. “Vamos nos reunir para discutir alguma dúvida e finalmente implantar a nova regulamentação”.

Entendendo que o táxi é um serviço público especial, Aleluia comunicou que, em curto prazo, quando pretende eliminar a mão inglesa nas vias exclusivas, a Prefeitura vai autorizar que os também chamados “carros de praça” compartilhem essas pistas com os ônibus. “Sabemos dos prejuízos que os congestionamentos causam aos taxistas e pensamos nessa solução para facilitar a circulação deles pela cidade. No entanto, por questão de segurança, só poderemos fazer isso depois da eliminação da mão inglesa nas vias exclusivas”.

O secretário lembrou que várias medidas já adotadas pela Prefeitura estão incentivando o uso do táxi na cidade. “O ordenamento do trânsito com a forte repressão ao estacionamento irregular vem desestimulando a utilização do transporte individual. Também fazemos intensa campanha para aqueles que desejam consumir bebidas alcoólicas evitarem utilizar o carro e pegarem táxis”.


Quando questionado sobre o transporte clandestino, Aleluia disse que a solução para esse problema requer o apoio da polícia. “Tenho conversado com o secretário estadual de Segurança Pública e ele vem demonstrado boa vontade em colaborar conosco. A situação no aeroporto já melhorou e estamos começando a agir na rodoviária”. 

terça-feira, 18 de junho de 2013

Aleluia: Interesse público prevalece na manutenção da tarifa de ônibus



“O interesse da população prevaleceu na decisão do prefeito ACM Neto de não aumentar as passagens de ônibus, em decorrência do reajuste de 9% concedido aos rodoviários”, diz o secretário municipal de Urbanismo e Transporte, José Carlos Aleluia. Para ele, concorre também para o bem da cidade o acordo entre os empresários e trabalhadores que evitou a greve e os possíveis problemas coletivos a serem causados pela paralisação do transporte público.

“Além de cumprir a palavra de não reajustar o preço dos ônibus este ano, ACM Neto criou o ‘Domingo é Meia’, uma promessa de campanha transformada em realidade em menos de seis meses de governo”, observa Aleluia. Segundo ele, a tarifa especial que dá direito à meia passagem para quem paga em dinheiro já beneficia 350 mil pessoas em Salvador, tendo total aprovação. “Isto está sendo possível, porque estamos gastando menos com a máquina administrativa para ter mais cuidado com as pessoas”.


terça-feira, 11 de junho de 2013

Para Aleluia, criticar Domingo é Meia é “tiro no pé”



O secretário municipal de Urbanismo e Transporte, José Carlos Aleluia (DEM), divulgou, nesta terça-feira (11), um balanço do monitoramento da frota de ônibus aos domingos. O acompanhamento é feito regularmente, de acordo com o chefe da pasta, e não foi identificada nenhuma irregularidade.

Os números (cliqueaqui) demonstram que o quantitativo de coletivos aos domingos nos meses de abril e maio de 2012, antes do programa Domingo é Meia, é semelhante ao dos mesmos meses de 2013. Neste sentido, as denúncias feitas pelo vereador Luiz Carlos Suíca (PT) não são procedentes, garante Aleluia.

Provocado pelo edil, o Ministério Público Estadual (MPE) se comprometeu a investigar. Para o secretário, não há problema nisso. “A investigação do Ministério Público é sempre muito bem vinda, mas esse é um trabalho que fazemos regularmente. O programa é um sucesso. São 350 mil pessoas beneficiadas a cada domingo”.

O representante da prefeitura entende o “denuncismo” como ferramenta da oposição, mas afirma se tratar de “um tiro no pé”. “O opositor quando vê um projeto bem sucedido do governo, e essa foi a decisão mais aplaudida, é natural que queiram levar demandas ao Ministério Público. Agora, isso é a mesma coisa que eu ou alguém da oposição querer criticar o Bolsa Família: é um tiro no pé”.


A licitação das linhas de ônibus de Salvador será feita em julho. A expectativa em torno do aperfeiçoamento do “capenga” sistema de transporte público da capital baiana é grande e a promessa de campanha eleitoral e o compromisso assumido pelo secretário deverá ser cumprido tão logo as novas regras entrem vigor. 

Fonte: Bocão News

sábado, 8 de junho de 2013

Ônibus e táxis já podem circular em via exclusiva no Dique do Tororó




A prefeitura de Salvador informou que começou a funcionar, neste sábado (8), a via exclusiva para ônibus e táxis implantada no início do Dique do Tororó, sentido Barris. Segundo a administração soteropolitana, os veículos que vêm pela Avenida Bonocô, sentido Comércio, podem agora descer pela via que estava interditada e seguir por um pequeno trecho no contrafluxo até a altura do restaurante “A Porteira”, onde devem, à direita, retornar à via da mão convencional. A medida ocorre porque, no trecho próximo à Arena Fonte Nova, a Fifa está montando as estruturas para a Copa das Confederações. “A intenção da prefeitura é desafogar a Avenida Ogunjá que, nos últimos dias, passou a receber um volume muito intenso de veículos por conta das diversas intervenções no trânsito da região. Agentes da Transalvador estão no local para monitorar a operação e também para garantir que apenas táxis e ônibus usem a nova via”, informou.

Fonte: Bahia Notícias 

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Decreto estabelece horário de carga e descarga e circulação de caminhões





As operações de carga e descarga em Salvador vão passar por mudanças. O Diário Oficial do Município publicou, nesta quarta-feira (5), um decreto estabelecendo as normas para esses procedimentos, assim como para a circulação de caminhões e tratores na capital baiana. Pelo decreto nº 23.975, assinado pelo prefeito ACM Neto, ficam proibidas operações de carga e descarga de bens e de mercadorias, nas Zonas de Restrição de Operação de Carga e Descarga (ZRCD), em estabelecimentos comerciais e de serviços, nos seguintes dias e horários: de segunda a sexta-feira, das 6h às 21h e antes das 14h, aos sábados.

Existem algumas exceções, entre elas operações de carga e descarga realizadas com automóveis e motocicletas, serviços de tratamento e abastecimento de água, assistência médica e hospitalar, coleta de lixo, entre outras.  Fica proibido também o trânsito de caminhões e tratores nas Áreas de Restrição a Circulação (ARC) do município, nos períodos compreendidos entre: 6h e 10h de segunda a sábado; 17h e 20h de segunda a sexta-feira; e 9h e 20h, aos sábados, domingos e feriados na orla de Salvador.


No prazo máximo de 30 dias, a contar da publicação do decreto, a Transalvador expedirá portarias definindo as Zonas de Restrição de Operação de Carga e Descarga (ZROCD) e Áreas com Restrição a Circulação (VRC), devendo revisá-las sempre que necessário. Para o superintendente da Transalvador Fabrizzio Muller, o decreto publicado é necessário para disciplinar as operações de carga e descarga em Salvador. "Desde que assumimos temos tido a preocupação em melhorar a fluidez do trânsito e esse decreto vai ajudar a Transalvador a cumprir com esse objetivo", destaca.

Copa vai provocar novas alterações no trânsito em dias de jogos




A partir desta sexta-feira (7), Salvador começa a receber a sinalização para a Copa das Confederações. Serão 41 placas e 200 banners com informação em português e inglês para orientar turistas e moradores que forem assistir aos jogos. A informação foi dada pelo superintendente da Transalvador, Fabrizzio Muller, durante coletiva para a imprensa na sede do órgão, nos Barris, nesta quarta-feira (5). O secretário do Escritório Municipal da Copa (Ecopa), Isaac Edington, também participou da coletiva.  

Eles responderam perguntas dos jornalistas sobre diversos aspectos envolvendo a mobilidade nos dias dos jogos da Copa das Confederações. Foi apresentado também o plano de operações para o evento, que terá algumas novidades.  Entre elas, uma linha de ônibus especial Shuttle Aeroporto - Campo Grande, via Stella Maris e orla, para hotéis localizados na Orla Marítima e Centro, entre os dias 8 de junho e 5 de julho, das 6h às 22h30. Em dias de jogo, eles vão circular de 6h as 23h com uma frequência de 30 minutos. A tarifa será R$ 20.

Linhas especiais - Segundo Fabrizzio Muller, nos dias de jogos, para evitar que as pessoas usem seus automóveis para acessar o estádio, foram criadas linhas especiais para portadores de ingresso, saindo do Aeroporto para a Arena Fonte Nova, via Avenida Paralela, operando em faixa exclusiva, cinco horas antes dos jogos e até duas horas após a partida. Foram criados também serviços especiais de estacionamento, que vão custar R$ 20 para quem possui ingresso. Linhas de ônibus partirão de estacionamentos localizados no Comércio, Iguatemi e Av. Tancredo Neves em direção ao estádio.

Foi explicado também que em dias de jogo até mesmo os moradores com comprovante de residência serão impedidos de transitar com seus veículos se não tiverem credencial. Serão montados PVVs (Postos de Verificação de Veículos) nos acessos ao estádio com o pessoal da Transalvador, Guarda Municipal, Polícia Militar e representantes da FIFA. Os moradores terão restrição de retorno de veículos aos seus imóveis, entre seis horas antes dos jogos e uma hora após o final das partidas.

Interdição - Em dias de jogo, no período das sete horas até uma hora após as partidas, serão interditados os seguintes logradouros:

- Av. Bonocô e Vale de Nazaré 
- Av. Ogunjá ao Terminal  Aquidabã;
- Dique do Tororó;
- Av. Vasco da Gama, a partir do Viaduto JK;
- Ladeira Fonte das Pedras;
- Av. Joana Angélica: Praça da Piedade até a Praça Almeida Couto.


O superintendente Fabrizzio Muller finalizou lembrando que uma competição mundial acaba sempre trazendo alguns transtornos e a Fonte Nova, por estar no centro da cidade, exige uma operação complexa em relação ao trânsito. "Salvador está preparada para receber esse evento", garantiu o superintendente.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Semut vai intensificar fiscalização dos ônibus aos domingos





O secretário municipal de Urbanismo e Transporte, José Carlos Aleluia, anunciou que será intensificada a fiscalização dos ônibus aos domingos, durante entrevista à apresentadora Jéssica Senra, no programa Bahia no Ar, nesta segunda-feira (20).

Na entrevista realizada dentro de um ônibus, o secretário Aleluia ouviu de diversos usuários reclamações da pouca oferta de ônibus para atender a população no dia da tarifa especial “Domingo é Meia”, quando quem paga em dinheiro tem direito à meia passagem.

“A tarifa especial Domingo é Meia foi uma promessa de campanha do prefeito ACM Neto que está sendo cumprida. Vamos intensificar a fiscalização para que o povo de Salvador usufrua deste benefício sem nenhuma dificuldade”, garantiu o titular da Semut.

Durante o percurso, que começou na estação Pirajá e foi até o Centro Administrativo, Aleluia pôde verificar as deficiências do transporte coletivo e os problemas enfrentados pelos usuários. Constatou a falta de conservação do ônibus, falta de limpeza, bancos em péssimo estado, além das reclamações de populares sobre a desorganização das filas e descumprimento de horários pelos ônibus.

Aleluia admitiu que a prefeitura ainda não tem o controle do deslocamento dos ônibus, mas que essa situação vai mudar depois da licitação do sistema de transporte público, em processo de elaboração do edital.

De acordo com o secretário, nas novas regras que serão estabelecidas, a tecnologia estará a favor do cidadão. “Vamos implantar mecanismos de controle, como a utilização de GPS, que permitirão a prefeitura saber onde o ônibus está e a que horas está passando no ponto, para fazer com que as empresas cumpram a programação devidamente”.

No novo contrato de concessão do sistema de transporte público de Salvador, Aleluia antecipou também que, no prazo de um ano, após a conclusão do processo licitatório, haverá a renovação de um terço da frota atual.

“Parte desse total da frota a ser renovado será de ônibus articulados, com mais espaço e capacidade de passageiros, que farão as linhas-tronco e serão climatizados, proporcionando maior conforto e comodidade aos usuários”, disse o secretário municipal de Urbanismo e Transporte.

Fonte: ASCOM SEMUT

ENTREVISTA: José Carlos Aleluia, secretário de Urbanismo e Transporte



Secretário de Urbanismo e Transporte de Salvador, o engenheiro eletricista José Carlos Aleluia, nos primeiros meses à frente da pasta, já tomou algumas medidas e fez algumas declarações que demonstram seu interesse em mudar paradigmas na mobilidade urbana de nossa cidade. Exemplos disso são a eliminação de estacionamentos em algumas áreas da cidade, como o Farol da Barra, a Av. Sete de Setembro e algumas áreas do Comércio, além de uma medida já divulgada pela imprensa: a intenção de transformar a região do Farol da Barra em calçadão inspirado em modelos europeus. Com o objetivo de esclarecer a forma como pretende intervir no trânsito de Salvador, em especial em prol dos pedestres, ciclistas e meios de transporte não motorizados, ele nos concedeu essa entrevista exclusiva, em 16/04/2013.

Henrique Azevedo: Existe alguma programação de campanha educativa para mudar os paradigmas da mobilidade urbana em Salvador?

José Carlos Aleluia - Devemos demonstrar para as pessoas como é possível viver numa comunidade, numa região da cidade que seja, digamos, relativamente autônoma, para que ela seja uma área capaz de resolver a vida das pessoas da maneira mais simples possível, com translado que possa ser feito, inclusive e principalmente, andando ou por equipamento como bicicleta. Esse tipo de coisa se faz através da demonstração. Essa administração vai fazer uma demonstração, usando a Barra como experiência. Vamos abrir o espaço na orla da Barra, que vai do pé da Ladeira da Barra até um pouco antes do Cristo, para que se transforme num parque. Um lugar onde, em quase toda a sua extensão, o espaço é exclusivo do pedestre, das bicicletas, do lazer e da utilidade. Tenho absoluta certeza de que o uso dos espaços da região vai ser reciclado. Na região do subúrbio, por exemplo, vamos tratar alguns lugares, retirando o domínio do carro sobre os espaços e convidando as pessoas a ocupá-los. Em Salvador, o domínio do carro nos espaços urbanos se estendeu dos bairros e dominou o centro da cidade. A rua Chile, que era a rua mais relevante do centro da cidade, a mais “andável” de Salvador no tempo em que eu era criança e adolescente, se transformou até recentemente num  estacionamento, onde as lojas já não prosperam e não há sequer um café, a exemplo do que se vê no centro de Santiago, Buenos Aeres, de qualquer cidade do mundo. Mas à medida em que as pessoas vão descobrindo que é bom viver resolvendo as coisas com menos carro e mais transporte coletivo, a mudança começa a acontecer naturalmente. Mas é claro que isso também deve fazer parte de um debate.

HA – Quer dizer que, na região central da cidade, os espaços de estacionamento vão dar lugar à ampliação das calçadas?

JCA - Vamos trabalhar no sentido de dar espaço e dignidade às pessoas. Gosto de me inspirar nas fotografias antigas da cidade. Recentemente, vi uma foto da Rua Chile, da Praça Tomé de Souza. Nela aparece muita gente andando na rua, um único veículo individual, talvez até de antes da guerra, e os bondes, que deslizavam entre as pessoas. Não havia absolutamente nenhuma dificuldade para que as pessoas transitassem no meio do espaço do trilho. Vamos  trabalhar não no sentido de isolar o centro, porque é preciso tomar cuidado porque uma região central é diferente de uma região como a Barra. Nela não se pode fazer um fechamento do acesso, senão pode virar um gueto. Deve-se levar em conta também, no planejamento urbano, a questão do controle da criminalidade. A criminalidade é um problema e se uma área é isolada para o acesso de carros, como ocorreu em algumas cidades, como São Paulo, ela pode se tornar inacessível às pessoas porque está dominada pelo crime. Para uma área ser andável, é necessário que seja útil andar nela, é necessário que seja também segura. Ou seja, que seja um lugar onde os riscos sejam mínimos de alguém ser atropelado, assaltado, atacado. E tem de ser uma área onde seja agradável caminhar. No caso da Barra, é fácil transformá-la em local seguro, pois como é muito habitada, especialmente à noite, fica mais fácil controlar a criminalidade. Áreas onde não há pessoas, à noite, sobretudo, são áreas que convidam ao crime. Não podemos fechar simplesmente uma área, pois fechar simplesmente pode transformá-la num gueto.

HA – A respeito da segurança, tivemos um evento nesse final de semana que coincidiu, exatamente, com uma intervenção feita pela prefeitura no Campo Grande. Na sexta-feira (12/04/20123), retirando comerciantes,  skatistas, ciclistas e até mesmo os moradores de rua que estavam lá implantados, houve o assassinato de um estudante na mesma noite. Há alguma relação nisso? 

JCA - Toda vez que há gente, evidentemente que gente chama gente, que gente dá conforto, dá tranquilidade. Mas tem que ser gente que está usando o espaço de forma própria. Morador de rua não está usando o espaço de forma própria, está dormindo no espaço, fazendo toda higiene no espaço, isso significa trazer insalubridade para o espaço. Seria uma posição demagógica da prefeitura achar que o morador do Campo Grande deveria trazer segurança para o Campo Grande. O frequentador do Campo Grande, sim. O comerciante, de forma moderada, porque não se pode transformar um parque numa feira. Tem que haver alguns espaços para o comerciante. Na Barra, vamos preservar o comerciante. O prefeito decidiu que vai haver o comércio de côco, uma coisa natural da cidade, típico da cidade, e de acarajé. Eventualmente, os ambulantes, mas ambulantes móveis, que poderão fazer esse tipo de comércio na praia. Se você deixar o comércio livre, o comércio domina o ambiente e acaba o parque. 

HA - Com relação à transformação das ruas em espaços mais andáveis, como isso será feito no subúrbio? 

JCA - Vamos fazer várias intervenções na orla, em Tubarão, em Paripe, na Ribeira. O Estado está fazendo um programa na Ribeira. Vamos fazer intervenções sempre voltadas para ampliar o espaço do cidadão, para que os bolsões dos que se deslocam para lá não cheguem a tomar conta da praia. Se você vai no fim de semana para qualquer uma dessas regiões, verifica que o que domina não é o espaço das pessoas, mas dos veículos. Um lugar ocupado por um carro é o mesmo lugar ocupado por quantas pessoas? Você tem que fazer com que os carros circulem, mas circulem com velocidade compatível ao movimento das pessoas. Isso nós vamos fazer. Na Barra, é apenas uma intervenção, faremos depois no Rio Vermelho, sempre procurando valorizar a pessoa. 

HA – O blog Rua de Gente foi inspirado numa rua de Salvador, localizada no bairro do IAPI, onde eu fiscalizava a obra de uma escola. Tirei várias fotos mostrando como os moradores fazem um uso muito interessante da rua, como espaço de vivência e de lazer, especialmente as crianças...

JCA – Em lugares de classe média, você encontra mais isso, numa cidade como Salvador, com mais frequência, do que em lugares mais centrais e bairros mais sofisticados. Por quê? Porque normalmente, nos bairros onde se construíram prédios, esses prédios não têm um espaço de concordância entre o prédio e a rua, normalmente existe um abismo. O que é que acontece, por exemplo, nas cidades do interior? As ruas se comunicam com as casas, numa intimidade muito grande. O que a arquitetura nossa fez foi valorizar demais o privado, isolar muito o privado, e deixar que as pessoas se sintam soltas nas ruas, como se os prédios nada tivessem a ver com as ruas, onde eles estão colocados. Em alguns bairros, existe um “diálogo”, uma relação muito próxima entre propriedade privada, que deve ser preservada, e propriedade pública. Isso é que dá movimento e vida à rua. E faz com que a pessoa que está na rua se comunique com o que está acontecendo ao lado dela. Se você passa numa rua, pode ser de prédios altos ou baixos, às vezes eles funcionam como muralhas isoladas. Mas existem lugares em que os prédios são altos e se transformam em verdadeiros motivos de iluminação e de interface para o pedestre, contribuindo com a segurança da rua. Ou seja, se você isola o prédio da rua, com portas e comportas, existe o medo do crime porque há uma distância muito grande entre o que tem no prédio e o que tem na rua. Isso são coisas que decorrem da insegurança. Na novela das 8, tem uma favela, o Complexo do Alemão, mas as pessoas vivem na rua, convivem na rua, conversam na rua, o bar é quase na rua. Quer dizer, está lá uma comunidade que usa a rua. 

HA – No blog, fizemos um trabalho de análise da Via Expressa e, entre muitos problemas, vimos a falta de continuidade das calçadas...

JCA - As vias expressas são como se não fizessem parte da cidade. Não é o caso dessa. Todas as outras não tratam de passeio, normalmente. Eventualmente, têm passeio, mas não tratam de passeio, não tratam de ciclismo, não tratam de nada, porque são vias exclusivas de alta velocidade. Mas elas terminam não sendo, porque, na verdade, as pessoas estão ali e precisam transitar. Não há sentido em fazer essas coisas dentro de cidade. As cidades americanas que fizeram isso tiveram que reverter, a exemplo de Boston e Chicago, que conheço razoavelmente bem. Fizeram auto estradas no elevado e, depois, resolveram evoluir para o “mergulho”, que é  uma solução menos agressiva. A via Expressa de qualquer jeito é uma obra que pode prestar um serviço ao porto, dar uma sobrevida ao porto.  

HA - Mas a solução que a gente vê muito nas avenidas de vale, aqui em Salvador, são as passarelas. E, na verdade, a passarela é uma solução para o carro, não para a pessoa, porque se obriga a pessoa a deslocamentos muito grandes. 

JCA - A solução que nós estamos estudando para alguns lugares é que o carro se eleve e as pessoas continuem a andar.  

HA - Ou que o carro “mergulhe” também, como Chicago? 

JCA - É, mas às vezes é mais fácil, num lugar como a avenida Antônio Carlos Magalhães, que o carro suba para que as pessoas possam passar com mais tranquilidade. Ali para o carro  mergulhar seria criado um problema de lençol freático, de inundação. 

HA – Há pouco tempo, em conversa com Miguel Kertzman (ex-secretário de transportes no governo Lídice da Mata) a respeito da LIP (Ligação Iguatemi-Paralela), ele disse que muita gente contestou e falou que ali teria problema. Mas na época ele consultou engenheiros que garantiram não haver riscos. 

JCA - Bela obra. Só faltou um mergulho a mais, pois faltaram 15 milhões para fazer. 

HA - Ali foi um milagre ele fazer a obra em uma Prefeitura que tinha tão pouco dinheiro... 

JCA - Milagre, não. Uma decisão certa. Quem investiu na obra foi o empresariado daquela região. Eles tinham que fazer isso.

HA - Temos um problema sério em Salvador, que são as calçadas, que estão muito distantes de atender às normas. O que o senhor está pensando para resolver esse problema? 

JCA - Além de estreitas, as calçadas de Salvador estão deterioradas. O problema do alargamento demanda mais tempo. Já a deterioração é a primeira coisa que temos que cuidar e a regra será tolerância zero para o estacionamento na calçada. Parar na calçada é algo imperdoável, que vai representar sempre multa e remoção do veículo. Mas isso vai demorar muito para as pessoas entenderem, por isso está exigindo um volume muito grande de remoção de veículos. Muitas de nossas remoções estão sendo feitas por estacionamento em passeio, por uso indevido de vagas para pessoas deficientes e idosas. Estamos procurando ampliar a quantidade de vagas para idosos e deficientes, para convidá-los à orla. Conheço alguns idosos que já voltaram a ir para a Barra, porque agora tem vaga. E você ainda encontra muito jovem, ou pessoas que não precisam, achando que podem usar as vagas de deficientes. Essa coisa da recuperação do passeio é uma preocupação do prefeito, e nós vamos exigir. Vamos fazer um programa de cooperação com os donos das propriedades. Não tem cabimento que um edifício, que tem condomínio, preserve todo o espaço privado de maneira adequada, mas não preserve seu passeio. Muitos condomínios não preservam o passeio, mantendo pedaços de ferro e de cimento para os veículos não estacionarem no passeio, mas isso também atrapalha o pedestre.

HA - Já estão sendo discutidas em muitos lugares do Brasil, e na Europa já estão implantadas em alguns lugares, as zonas 30, que são locais da cidade onde o veículo só pode “andar”. Você falou há pouco tempo sobre redução da velocidade para ter uma condução mais humana, um trânsito mais humano, e isso é previsto no nosso código de transito, no artigo 61, que nas vias locais a velocidade máxima deve ser de 30 km/h. Para que as pessoas respeitem essa lei, vai haver um processo de educação, informação e sinalização? 

JCA - Muita sinalização. Nós vamos trabalhar com velocidades mais moderadas, não só por questão de segurança, porque ainda encontro gente raciocinando que o veículo deve ter uma velocidade moderada para evitar o acidente. Mas a velocidade moderada do veículo é para ele não perturbar o ambiente enquanto passa. Então, a velocidade média de um ônibus em Salvador não deve estar muito acima de 12 km/h. Para se deslocar de forma confortável, 40km/h está muito bom. Na Barra, nos trechos onde houver circulação de ônibus, a velocidade será entre 15 e 20 km/h, porque é uma área de pedestre. Será um espaço compartilhado, que acho que vai ficar muito adequado. 

HA – Existe previsão de se estabelecer em Salvador as Zonas 30

JCA - Com esse nome, não. Mas vamos estabelecer “boulevares”, que são áreas de 30 ou 40km/h. Não temos o programa ainda, porque a equipe é muito pequena, mas há uma ideia de valorizar o espaço das vias, sobretudo nos bairros residenciais, e os espaços para os moradores. Isso é uma coisa que tenho encontrado alguma resistência em minha equipe. Quando começo a falar em implantar um programa para reservar estacionamento para moradores, existem pessoas que se revoltam porque moram próximas ao centro e não conseguem sequer ter paz na própria rua. Por exemplo, no Caminho das Árvores, as pessoas querem fechar as ruas, porque os carros e as pessoas invadem os espaços das famílias dos moradores para estacionar. Este é um programa também que tem que estudar muito, porque exige mobilização de equipe. Você não pode fazer um programa para não pegar. Estamos ainda em uma pré-história, num momento de conquistar de novo os espaços da rua, os passeios, progressivamente. Observe que sem nenhum investimento, melhoramos bastante o visual da Barra. Acabamos também com o engarrafamento na Av. Sete. Se saio daqui da secretaria, que fica na Avenida Garibaldi, em quinze minutos posso estar em reunião com o prefeito na Praça da Sé. A não ser que seja entre 5 e 6 horas da tarde. O problema é chegar até o Campo Grande, mas de lá chego à Prefeitura praticamente sem engarrafamento e com um trânsito a uma velocidade de 15 a 20 km/h. Mas ainda não fizemos o que deveríamos fazer: ampliar as calçadas. Mas não adianta ampliar as calçadas, se elas forem tomadas pelo comércio. Estamos fazendo um trabalho de intervenções pontuais e progressivas. Há reações, como as da Vasco da Gama, onde há ainda uma negociação, porque a avenida Vasco da Gama hoje tem oito pistas, não tem gerado mais engarrafamento, mas das oito pistas duas são ocupadas com estacionamentos e oficinas, que não vamos preservar. Estacionar eventualmente pode, mas seria um estacionamento rotativo, rápido, porque é uma via de velocidade. Mas usar a via para oficinas não pode, porque o Código de Trânsito proíbe. Já tivemos nesse ano o óbito de um mecânico que estava trabalhando na margem da pista da av. Bonocô. Não é coisa só de secretário que está querendo implantar coisas novas, não, é questão de segurança. 

HA - A Vasco da Gama tem também um problema sério de pouca calçada, não é?  

JCA - A Vasco da Gama tem lugares onde não tem calçada, porque as pessoas construíram na calçada. A prefeitura permitiu que construíssem na calçada. Vamos ter que fazer uma engenharia para resolver esse problema. 

HA - O sr.  falou há pouco tempo sobre a importância dos ciclistas e a gente vê hoje muito ciclista na cidade. Mas tanto para o ciclista como para o pedestre, há alguns pontos de conflito com o trânsito, porque não existe a cultura de respeito ao ciclista. O Código de Trânsito prevê a prioridade para o ciclista nas vias onde não há ciclovia, mas ou os motoristas desconhecem ou fingem desconhecer isso. O que o sr. pensa disso?

JCA - O prefeito quer dar um tratamento à questão da bicicleta. Por muito tempo se usou um argumento equivocado de que Salvador tem muita ladeira e por isso não era própria para bicicleta. Equivocado, porque Salvador não tem ladeira. As ladeiras estão no centro histórico de Salvador, a cidade fortaleza foi construída na ladeira. Em geral, Salvador é uma cidade hoje desenvolvida de forma plana ou com ladeiras muito fáceis de serem dominadas pela bicicleta. Mas a cidade é hostil à bicicleta. Algumas vezes, saí de bicicleta na cidade, hoje eu saio muito pouco, cada dia menos. Mas estou querendo voltar a sair. Hoje me sinto ameaçado, porque há também uma questão de educação para o trânsito, que é uma coisa que tem que ser feita de forma coletiva. Temos um programa com o secretário de cidades sustentáveis, que ficou encarregado de tratar desse assunto, e eu já disse a ele que isso é prioridade no nosso planejamento urbano. Não faremos nenhuma nova avenida sem pistas exclusivas para ônibus e ciclistas.  

HA - Existe alguma ideia de política para incentivar o uso de bicicleta em Salvador? 

JCA - Estamos discutindo isso. Estamos lançando o edital para tentar fazer aquelas bicicletas integradas que o Rio de Janeiro tem. É uma forma de incentivar as pessoas a andarem de bicicleta.  

HA – Serão bicicletas alugadas?

JCA – Sim, alugadas com cartão de crédito que os bancos bancam. Não dá lucro, mas alguém tem que bancar isso.

HA – O Itaú tem feito isso...

JCA - Itaú, Bradesco...  

HA – Vi o Itaú fazendo isso em Recife. 
JCA - Nós vamos fazer isso também, vamos trabalhar nisso. 

HA - Isso é muito bom porque as pessoas vão começar a perceber que é permitido o uso da bicicleta nas ruas.

JCA – Elas serão convidadas, a palavra é essa.

HA - Nas avenidas e ruas, o estreitamento da largura das faixas de rolamento pode ser um instrumento para reduzir a velocidade no trânsito e facilitar a circulação de ciclistas e pedestres. O que o sr. acha disso?

JCA – Queremos aumentar a velocidade média e reduzir a velocidade máxima nas vias. Quanto ao estreitamento das faixas, fizemos um estudo desse na avenida Paralela, com o objetivo de aumentar o número de faixas. Mas há uma controvérsia entre os técnicos, porque você não pode fazer isso em pistas com velocidade acima de 60KM/h. Se fizer isso, tem que fazer em pistas com velocidade menor. Acho muito arriscado em uma via onde a velocidade máxima é 80km/h, como a Paralela. Se fizermos um estreitamento dá para ganhar uma pista, tem um diretor de trânsito de nossa equipe que defende muito isso.
 
HA - Não falo em reduzir para ganhar pista, mas reduzir para ganhar uma ciclovia ou passeio... 

JCA - No caso da Paralela, é muito fácil ganhar uma ciclofaixa. Mas no caso da Paralela, eu não avanço mais na questão de usar a faixa central para fazer ciclovia. Na faixa central, não é bom, mas é melhor do que não ter. Já as vias marginais são ociosas, são típicas para bicicleta porque são largas e não podem ser pistas de estacionamento como são hoje, verdadeiros depósitos de carros, Vamos tirar o depósito de carros e aí vai aparecer o lugar para as bicicletas. Eu não tenho que colocar a bicicleta na Antônio Carlos Magalhães, tenho que colocar as bicicletas nas marginais da Antônio Carlos Magalhães.

HA - Pode ser uma boa também, mais seguro para o ciclista, mas tem que haver  continuidade da via marginal... 

JCA – Na avenida Paralela, nós teremos isso.

HA - Mas na ACM, não? 

JCA - Na ACM, teremos também, pelo menos nesse governo acho que vamos poder sair da Bonocô  e chegar a Brotas e talvez chegar até a Embasa, Camurugipe...  

HA - Pelas vias marginais? E tirar os estacionamentos dessas marginais? 

JCA - Sim, claro. Não há dúvida de que os estacionamentos vão ficar mais escassos. Não tem outro jeito. O motorista tem que entender que o estacionamento ao léo não vai acontecer mais. 

HA - O Código Nacional de Trânsito diz que o ciclista desmontado equivale ao pedestre, ou seja, se ele está empurrando a bicicleta, é pedestre. Existe uma reivindicação de alguns grupos de ciclistas para ter acesso aos ascensores com bicicleta. Existe alguma possibilidade ou estudo para viabilizar isso?

JCA - Possibilidade existe, mas estudo não. Não vejo, por exemplo, facilidade no Elevador (Lacerda). Vejo facilidade no Plano Inclinado Gonçalves. Podemos estudar isso, é uma boa ideia, nunca pensei, mas eu acho que tem que estudar bem isso. 

HA - Alguns ciclistas já me falaram também da Estação da Lapa, de poder chegar à Estação da Lapa... 

JCA - A Lapa é muito difícil, porque é muito baseada em escada rolante. As outras sim, mas a Lapa é complicada, tem que fazer uma reengenharia dela.  Não sou contra escada rolante, só não é compatível, sempre tem que fazer uma reengenharia para poder circular dentro com a bicicleta. Mas vamos em breve fazer uma privatização da Estação da Lapa, uma concessão de serviço público.

HA – Em alguns lugares, existe o compartilhamento das vias exclusivas de ônibus com bicicleta. O que o sr. pensa disso? 

JCA - Não conheço, não, mas é uma coisa compatível, porque o ônibus também não é para andar em alta velocidade. 

HA - Outra coisa é que os motoristas de ônibus são profissionais e mais fáceis de se educarem, principalmente quanto ao trânsito nas avenidas de vale. Um programa desse tipo existe na Inglaterra, em alguns lugares da Europa, aliás, na Europa, a bicicleta felizmente domina. Vejo alguns locais muito inseguros tanto para ciclistas como para pedestres, como os postos de gasolina, que têm entradas muito extensas e às vezes nem têm calçadas. Vi uma foto no Google Street View com pedestres e o carro entrando no posto sem sinalizar... 

JCA - O que me preocupa muito é a forma como foram construídos os postos de gasolina em nossa cidade. Tem posto de gasolina em todo lugar. Se você olhar uma fotografia antiga da cidade baixa, da praça Cairu, você verifica que ao lado dela tem um belvedere, que era um lugar que as pessoas entravam para visitar, para ver os barcos chegarem. Hoje tem lá um açougue e um posto de gasolina, que nós estamos lutando para tirar. (No dia 9/05/2013, foi publicada matéria sobre embargo do posto citado).

HA – Para ilustrar postagens daqui do blog, já utilizei algumas imagens do Google Street View, que acho uma ferramenta fantástica para observar a cidade. A gente percebe muito transporte não motorizado circulando, não é bicicleta, não, mas comerciantes, o vendedor de mingau, de milho, cachorro quente, o sucateiro, são pessoas que estão na cidade também trabalhando... O que o sr. pensa a respeito da segurança dessas pessoas no trânsito?

JCA - O que é fundamental é que, se estiverem se deslocando com veículos movidos a força humana, podem usar ciclovia, se estiver empurrando carrinho de mão, pode usar também a ciclovia, só não pode se for veículo motorizado. Na avenida sete é fácil fazer uma ciclo faixa, mas tem de fazer de forma progressiva porque o comerciante reage muito, acha que tem que colocar o carro dele na porta da loja dele, esse é um grande erro.

HA - Inclusive passei um dia desses na avenida sete em torno das 7 horas da manhã e o estacionamento estava todo ocupado, com 80 a 90% das vagas ocupadas... 

JCA - Não são dos clientes, mas dos próprios comerciantes e seus empregados ou de alguém que trabalha em algum prédio ali.  

HA - Fico pensando que realmente quase a maioria daquelas vagas são dispensáveis. 

JCA – São dispensáveis, inteiramente dispensáveis, até porque quem passa o dia todo lá pode botar o carro no estacionamento São Raimundo, que fica vazio. 

HA - Eu vi esses dias um artigo a respeito da cidade de Xangai, falando que é o sistema de metrô que dá lucro, porque eles transformaram as estações em shoppings...

JCA - As estações vão virar shopping. A Estação da Lapa será mais um shopping, aliás na estação da Lapa já tem 2 shoppings e vai ter mais um terceiro shopping agora, que é o shopping da própria Estação da Lapa.

HA – Há poucos dias li um artigo falando de fiscalização eletrônica nos corredores de exclusivos de ônibus... 

JCA - Só funciona se for fiscalização eletrônica. Só faremos com fiscalização eletrônica, porque  não temos pessoas suficientes para fiscalizar corredor de ônibus. A fiscalização é inteligente, se o ônibus passar em dois check points, está usando a faixa, mas se passar em apenas um ponto, não está usando a faixa. A continuidade é checada automaticamente pela câmeras inteligentes.  

HA - No dia 24 de janeiro deste ano, foi criado um grupo para elaboração dos termos de referência para a concessão do serviço de transporte público e terminais de passageiros. Como está o andamento desse trabalho? 

JCA - Esse trabalho está praticamente pronto, aguardando apenas a assinatura do contrato do metrô. Minha prioridade aqui nessa secretaria é lançar a concorrência do transporte público. Já estamos com o trabalho adiantado porque os entendimentos já estão concluídos a respeito do metrô, em breve sairá a licitação. 

HA - Mas isso vai exigir também uma tarifa única... 

JCA - Exige tarifa integrada, que vai ter, naturalmente. Hoje tem uma integração que é muito cara. Você paga R$1,40 na segunda perna. Quando vier o metrô, antes de chegar o metrô, vou ter que encontrar uma solução para a tarifa integrada. Tarifa única é uma coisa, tarifa integrada é outra. Tem uma pessoa que trabalha comigo, que anda 4km para não pagar a segunda perna. Isso é um absurdo, por isso surgiu a “macarronada” (linhas longas de ônibus que se entrelaçam). Na concorrência, nós vamos querer tarifa integrada.

HA – O sr. planeja implantar VLT (veículo leve sobre trilho) em algum lugar da cidade? 

JCA – Não temos planos, mas penso que o VLT se adapta muito bem a algumas áreas, muito melhor do que o ônibus. Mas tem que examinar o problema de inclinação. Não temos ainda nenhum estudo neste sentido, mas acho que Salvador se adapta. Primeiro, temos de dar um slow down nos veículos individuais. As pessoas têm que entender que existe o ônibus. Eu tenho usado muito o ônibus, para as pessoas verem que existe o ônibus. Todo mundo acha estranho, mas eu tenho usado.  

HA - Eu também uso ônibus. E comecei a usar bicicleta também.

JCA - Para as pessoas verem que você está fazendo. A teoria existe, mas deve haver a prática. 

HA – E, por fim, como está sendo pensado o Plano de Mobilidade Urbana para Salvador?

JCA – O Plano vai ser colocado dentro do de desenvolvimento da cidade. Queremos fazer um plano da cidade e vamos fazer o plano com o apoio da Federação das Indústrias. Vamos  ouvir a sociedade. Estou fazendo agora a Conferência da Cidade, você deveria participar disso, porque vamos fazer um plano da cidade. Dentro disso vai estar o plano de mobilidade urbana.
Edição: Nisia Rizzo de Azevedo