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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

ACM Neto diz que o pior já passou



Há oito meses à frente da gestão da capital baiana, o prefeito ACM Neto (DEM), apesar das dificuldades, mostra-se confiante com o que pode deixar de legado para a cidade. Segundo o chefe do Executivo municipal, não importa “a Salvador de hoje”, mas a cidade que ele vai entregar em 2016. “No meu discurso de posse eu disse que não queria ser avaliado por cem dias, por seis meses ou por um ano. Eu quero que a minha administração seja avaliada nos seus quatro anos”, diz, respondendo as críticas de que a cidade ainda não passou pela transformação desejada pela população.
Ele afirma que tem trabalhado 12 a 14 horas por dia para deixar a “casa” em ordem. Neto frisou ainda que o ponto forte do projeto do IPTU será garantir que as pessoas que não podem, não paguem IPTU. A retirada de Salvador do cadastro de inadimplentes, o que possibilita convênios e operações de empréstimos foi a principal conquista apontada pelo gestor. Conforme o democrata, a herança das finanças “desequilibradas”, além das chuvas, impediu a realização de obras.
Cotado como um dos nomes da oposição para as eleições ao governo em 2014, Neto descarta a candidatura, porém, frisa a importância da unidade da oposição ao afirmar que essa é uma ideia inteligente e amadurecida do grupo.

Tribuna da Bahia– O senhor anunciou na última semana que a prefeitura de Salvador conseguiu limpar o nome no Serviço Auxiliar de Informações para Transferências Voluntárias (Cauc), espécie de SPC do Tesouro Nacional. O que isso representa para a cidade? O que tem de projetos e convênios engatilhados para conquistar recursos federais e internacionais?

ACM Neto
 - Salvador passou praticamente três anos no cadastro de governos inadimplentes. Isso impedia que Salvador firmasse convênios, operações de créditos, buscasse recursos externos para a execução dos principais projetos que são fundamentais para o futuro da cidade. Depois de sete meses ininterruptos de trabalho, nós conseguimos tirar Salvador do Cauc que é esse cadastro e agora Salvador está entre as cidades ficha limpa. Isso permite que a cidade possa receber recursos, permite que a cidade possa fazer operação de crédito, contratar empréstimos, buscar o apoio que é fundamental para esses grandes projetos. Nós temos muitas coisas pensadas. Ao longo desses sete primeiros meses de mandato nós elaboramos um conjunto de ações e de projetos. Alguns vão ser financiados com recursos próprios do município que já começam agora este ano, como a recuperação do asfalto de Salvador, seja pelas intervenções de tapa-buraco, seja pelo recapeamento asfáltico. Teremos ainda a recuperação de 70% da nossa rede de saúde, que faremos até o final do ano. Além disso, teremos ainda a recuperação de nossas escolas, das nossas praças, passeios, meio fio, calçadas, das áreas de convivência, da ação social que é uma coisa importantíssima. Um grande projeto de mobilidade também está sendo pensado exatamente para buscar recursos federais e financiamento externo, com mais investimentos em infraestrutura, principalmente nos bairros mais pobres de Salvador. Enfim, um conjunto de coisas está sendo pensado e essas realizações vão acontecer a partir deste final de ano.

Tribuna - Quais têm sido as maiores dificuldades enfrentadas pelo senhor na gestão da prefeitura?

ACM Neto - Eu diria que nós temos duas grandes dificuldades. De um lado existe a dificuldade administrativa, de ter recebido uma prefeitura totalmente desorganizada, com as suas finanças desequilibradas, sem dinheiro para absolutamente nada, endividada e com um quadro administrativo eu diria que deprimido. As pessoas com pouca motivação e indispostas para trabalhar. Passamos esse tempo todo arrumando a casa, intervindo, ajustando, colocando os pingos nos is na área de administração e também na área de finanças, o que nos permitiu agora, por exemplo, já anunciar o pagamento das dívidas passadas e o que nos permitirá encerrar 2013 sem dever nada a ninguém, no atual exercício administrativo financeiro. Do outro lado eu destacaria as chuvas que desde abril não têm dado trégua em Salvador, o que acabou revelando problemas históricos e crônicos de infraestrutura, como os buracos, os deslizamentos de terra, as encostas que estão comprometidas, os pontos de alagamento nos dias de chuva que geram bastante transtorno no trânsito. Tudo isso impede que a gente possa começar a investir em infraestrutura e no processo de recuperação da cidade, pois com chuva esse dinheiro é jogado fora.

Tribuna - Como analisa as críticas de que a administração atual não conseguiu realizar ações e avançar na melhoria da cidade?

ACM Neto - Eu estou muito tranquilo. No meu discurso de posse eu disse que não queria ser avaliado por cem dias, por seis meses ou por um ano. Eu quero que a minha administração seja avaliada nos seus quatro anos. O que importa é a cidade que eu vou entregar em 2016, não o que existe hoje em Salvador. A gente tem trabalhado no nosso limite máximo, tem feito o esforço possível, tem trabalhado muito, se dedicado até onde pode e as pessoas tem que compreender que não existe solução mágica, nem milagrosa. Não tenho dúvida que no fim deste ano vamos ter um volume de realizações na cidade, compatíveis com as expectativas do seu povo. Agora eu estou muito tranquilo porque nunca criei falsas expectativas. Sempre o que disse em meu discurso foi que as coisas demorariam, mas aconteceriam.

Tribuna - Como vê as ações, sempre criticadas, da Secretaria Municipal de Transportes e Urbanismo, com as mudanças no trânsito?

ACM Neto - Primeiro estou aberto às críticas. Acho que não há governante que possa fechar os ouvidos para as críticas. Agora é bom destacar que essa administração está fazendo muito mais do que qualquer outra já fez. Primeiro não demos aumento na passagem de ônibus este ano. Em segundo lugar voltamos a cobrar o imposto que não era pago pelas empresas de ônibus. Terceiro, determinamos a abertura das planilhas de cada uma das empresas.  Estamos fazendo auditoria nessas planilhas. Implantamos o Domingo é Meia e ampliamos este programa, implantamos o bilhete único e vamos ampliar no final do ano o bilhete único. São conquistas fantásticas para a população, que nenhuma administração fez. Isso tudo não é pautado por nenhuma manifestação, pois já estava tudo programado desde o começo do governo. Com relação à licitação dos ônibus, o edital já foi concluído e está no edital de concessões, e a nossa previsão é de que no mês de setembro estará disponível a consulta pública, portanto, já será de conhecimento de todos. Nós vamos reorganizar as linhas e renovar a frota de ônibus.

Tribuna - O que a população que pega ônibus na cidade e critica bastante o serviço pode esperar com a licitação do sistema que será lançado no mês que vem?

ACM Neto - A população tem que está preparada para uma mudança cultural. Essa reorganização das linhas vai mudar muitas coisas, pois as pessoas estão hoje acostumadas a fazer um determinado trajeto para sair de casa e chegar ao trabalho. Naturalmente vai haver uma mudança nesse trajeto. Agora isso tudo com que objetivo? Facilitar o acesso aos ônibus e diminuir o tempo de permanência dos ônibus. Nós queremos aumentar a qualidade do transporte, dando mais segurança, dando mais conforto e diminuindo o tempo de deslocamento das pessoas. Como produto final nós vamos diminuir a quantidade de ônibus porque vamos racionalizar o uso daqueles que existem hoje. Além disso, vamos implantar os corredores exclusivos, o que vai dar um tempo médio de deslocamento nesses corredores para o ônibus, muito superior ao que o carro comum tem nas ruas.

Tribuna - Existe alguma possibilidade da iniciativa privada investir maciçamente na orla?

ACM Neto - Sim, com certeza. Nós vamos, inclusive, agora em setembro lançar o edital de licitação para identificar as empresas que vão fazer a gestão da orla. Nós estamos já com os equipamentos concebidos. Estamos com os equipamentos mapeados, ou seja, já está definido em que trecho da orla caberá cada equipamento que vai variar de nove metros a cem metros quadrados, que vão estar espalhados ao longo dos 65 quilômetros da orla de Salvador. Vamos estruturar móveis que montam e desmontam todos os dias. Os barraqueiros serão aproveitados nessas estruturas móveis da areia, portanto há um viés social. Vamos buscar o capital privado para fazer o investimento que em minha opinião será um investimento de aproximadamente R$40 milhões só nos equipamentos. Dessa forma não está incluído o que nós estamos investindo, o que o poder público está investindo na recuperação propriamente física da orla de Salvador.

Tribuna - Como avalia a queda de braço com Judiciário e Câmara de Vereadores sobre a Louos e o PDDU? O que fará para pôr fim à insegurança jurídica na cidade?

ACM Neto - Eu não vejo queda de braço. Quando assumi a gestão, existia uma lei aprovada no final de 2012 e eu poderia começar a conceder alvarás e licenças com base nessa lei e eu não segui esse caminho. Não segui o caminho autoritário, o caminho de achar que o poder executivo podia tudo sozinho. Eu procurei o Ministério Público para o entendimento e depois de cinco meses de conversas contínuas com o Ministério nós conseguimos chegar ao entendimento. Apresentamos conjuntamente uma proposta ao Tribunal de Justiça que está sendo sendo examinada. A Câmara de Vereadores com a sensibilidade de seu presidente, Paulo Câmara, traduzindo o sentimento da maioria dos vereadores se aproximou agora dessa posição da prefeitura e do Tribunal de Justiça e eu tenho certeza que no prazo máximo de 45 ou 50 dias o Tribunal vai votar essa Ação Direta de Inconstitucionalidade e irá liberar a prefeitura para que ela possa dar seguimento aos alvarás na cidade.

Tribuna - A insegurança jurídica afasta investimentos da cidade?

ACM Neto - Com certeza. Isso afasta e muito. Na verdade nós estamos com o mercado imobiliário de construção praticamente parado neste ano de 2013. É um ano perdido. Agora a insegurança jurídica só é afastada na medida em que o processo é desjudicializado, na medida em que você retira do poder Judiciário e que chega a um convencimento definitivo que é o que nós esperamos que aconteça agora com a decisão do Tribunal de Justiça. Se a prefeitura não seguisse esse caminho com o Ministério Público de entender que o poder Judiciário tem autonomia para decidir, nós poderíamos ter uma judicialização sem fim. O que nós fizemos foi exatamente todo o esforço para garantir a desjudicialização que vai ter efeitos fantásticos a partir daí porque com esse assunto resolvido não vai haver mais insegurança jurídica.

Tribuna - A prefeitura entregou o metrô ao governo do Estado, que apresentou  resultado da licitação na última semana. O senhor acredita que o prazo previsto pelo governo vai ser cumprido?

ACM Neto – Olha eu espero que sim. Todas as conversas que mantivemos com o governo e que, inclusive, motivaram a minha decisão de transferir o metrô para o governo estavam calçadas numa garantia que o governo dava de que faria a licitação e colocaria o sistema para funcionar. Eu não tenho dúvida, de que o esforço do governo será nesse sentido. A expectativa nossa é toda nessa direção e eu espero que isso possa acontecer o mais rápido possível. Acompanhei o processo do leilão, uma empresa saiu vencedora e esperamos que ela possa cumprir o cronograma para que tenhamos o metrô funcionando em Salvador.

Tribuna – O governo do Estado anunciou um corte de R$350 milhões no orçamento em função de uma suposta crise financeira.O senhor teme que esse momento de mais retenção de gastos prejudique sua administração?

ACM Neto – Não. Pelo contrário. Acho que o momento mais difícil nós já passamos. Em janeiro a situação era muito mais difícil do que hoje. Herdei o município com R$560 milhões em dívidas de curtíssimo prazo a qual se somava dividas de longo prazo em 3,5 bilhões. Eu herdei o município com o orçamento deficitário em mais de R$ 500 milhões. Nós estamos zerando o déficit no orçamento de 2013. Vamos encerrar o ano com as contas em dias, a prefeitura vai encerrar o ano no azul. Estamos pagando em dias todos os fornecedores dessa gestão, portanto, este ano está todo garantido, assegurado e já começamos a pagar a dívida da gestão anterior. O nosso momento hoje é um momento muito melhor do que o de janeiro, tanto que já descontingenciamos metade do que havia sido contingenciado no orçamento. Eu estou muito confiante e acho que o caminho está muito bem traçado.

Tribuna - O dinheiro era mal gasto na prefeitura?

ACM Neto - Olha eu acho que havia desperdício, má alocação de prioridades, má definição do que de fato era mais importante para a cidade e talvez não houvesse um rigor, como nós fizemos de equilíbrio orçamentário e de ajuste fiscal, que é um compromisso meu, pois não posso gastar mais do que arrecado.

Tribuna – Sobre a cena política para 2014, em qualquer pesquisa ou roda de conversas seu nome sempre é colocado...
ACM Neto - Nem precisa concluir a pergunta (sobre uma possível candidatura ao governo do Estado no próximo ano). A possibilidade é zero. Está descartado completamente. Eu disse a população que aqui a minha obrigação era de quatro anos. Ano que vem eu não terei deixado nenhum legado para a cidade. O primeiro legado que estamos fazendo agora é de arrumação da casa, de ajustes das contas, de colocar a prefeitura em dia, torná-la adimplente. Isso já é muita coisa, mas está muito distante do que eu quero fazer por essa cidade. Toda a transformação que eu quero oferecer a Salvador vai exigir pelo menos quatro anos do meu trabalho.

Tribuna – Na ala da oposição quem agrega mais o ex-ministro Geddel Vieira Lima ou o ex-governador Paulo Souto?

ACM Neto - Olha eu estou evitando neste momento falar em política, em eleição. São dois nomes que eu tenho o maior respeito e uma excelente relação. Eu acho que a definição de candidaturas acontecerá no momento certo e não é esse o momento. Neste exato instante eu só tenho cabeça para pensar em governar Salvador e enfrentar tantos e tantos problemas que temos aí pela frente.

Tribuna - Mas já que estamos falando em política, a possibilidade de duas candidaturas da base do governo e uma da oposição facilita?

ACM Neto - Olha o que eu tenho ouvido dos dirigentes partidários no campo da oposição é que eles pretendem marchar juntos, o que é um enunciado bastante inteligente e maduro, mas é cedo. Na hora em que as coisas tiverem que ser decididas elas serão decididas.

Tribuna - Haverá aumento no imposto?

ACM Neto - Primeiro existem muitos boatos. Eu fico assustado quando vejo nas redes sociais que vai ter aumento de 300%. Isso não existe. Nós estamos tendo todo o cuidado no estudo do projeto que será encaminhado em breve a Câmara de Vereadores. Esse cuidado será primeiro para garantir justiça social. O ponto forte do projeto do IPTU será garantir que as pessoas que não podem não paguem IPTU. Nós vamos ampliar substantivamente a base de isentos de IPTU na cidade de Salvador. Quando houver aumento, mas na maioria dos casos não vai haver, será com travas, limitações e com todo o cuidado para evitar qualquer situação extorsiva ou que possa chegar perto do que está se comentando aí, pois tem muita confusão na praça. As pessoas podem ficar absolutamente tranquilas que eu tenho todo o cuidado.

Tribuna - Quais serão os critérios para balizar esse processo?


ACM Neto - Eu só posso dizer depois que eu apresentar aos vereadores, o que deve acontecer na próxima semana.

Tribuna - Como está a relação com a Câmara de Vereadores? Existe algum tipo de tensionamento?

ACM Neto - Nunca esteve tão boa.

Tribuna - Há críticas em relação à falta de diálogo. A que credita?

ACM Neto -  Depende de onde está vindo essa crítica da falta de diálogo, pois eu estou três, quatro vezes por semana nas ruas. Eu vou pra rua para ouvir o povo. Agora, por exemplo, meia dúzia de pessoas que estavam acampadas na Câmara de Vereadores, que não são militantes, assessores políticos partidários de vereador? Aí é outra história. Se a pergunta tem a ver com isso eu me sinto muito à vontade, com a autoridade de quem aceitou no dia 27 de junho que todos viessem para a porta da prefeitura, de quem se colocou aberto ao diálogo, a receber uma comissão. Porque só quem está implementando aqui medidas concretas de mudanças no transporte e no trânsito somos nós. Não falta diálogo. É preciso saber quem está reclamando. O povo que está na rua nós estamos conversando, agora tem certos movimentos que não tem autoridade, nem legitimidade para reivindicar este diálogo.

Tribuna - O que a população pode esperar do prefeito ACM Neto?

ACM Neto - Trabalhar, trabalhar e trabalhar. São doze a catorze horas de trabalho todos os dias, de segunda a segunda, sem variação, sacrificando a minha vida, me dedicando ao máximo, procurando sempre acertar, entendendo quando há o erro, corrigindo esse erro e tenham certeza que ao final deste mandato a cidade será outra.

Colaboraram Fernanda Chagas e Lilian Machado.
Fonte: Tribuna da Bahia

terça-feira, 30 de julho de 2013

ACM Neto está em Brasília em busca de verbas federais



O prefeito ACM Neto está desde ontem (29) em Brasília com uma intensa agenda de reuniões com o objetivo de trazer verbas federais para a capital baiana. O prefeito está percorrendo ministérios e órgãos públicos federais buscando recursos para projetos nas mais diversas áreas, a exemplo da mobilidade urbana, além de se reunir com lideranças políticas do Congresso Nacional para tratar da elaboração de emendas para Salvador. ACM Neto só deve retornar da capital federal na noite de hoje (30), após uma nova rodada de conversas.

Primeiro dia do Bilhete Único é aprovado pela população



A Transalvador reforçou a fiscalização para garantir à população a redução dos custos com transporte por meio do Bilhete Único e da ampliação do programa Domingo é Meia, no primeiro dia de implantação das medidas, no último domingo (28). A ação contou com 110 agentes, distribuídos pelos corredores, estações de transbordo e terminais da cidade.

De acordo com o superintendente da Transalvador, Fabrizzio Muller, que acompanhou as operações realizadas nas estações Iguatemi e Lapa, nenhuma irregularidade foi constatada, e os usuários do transporte público puderam contar com os dois benefícios, conforme anunciado pela Prefeitura na quinta-feira passada (25).

"A operação ocorreu dentro do previsto. Nossos fiscais não registraram redução de frota, os ônibus contavam com as informações das áreas de integração e os aparelhos validadores, que registram a passagem, estavam funcionando dentro da nova programação de valores para atender ao Bilhete Único e Domingo é Meia", avaliou Muller.

As fiscalizações deverão ser mantidas até a população se familiarizar com as medidas. "Durante a semana, continuaremos monitorando tanto a frota, quanto a operação do sistema. Caso algum problema seja identificado nos validadores, vamos recolher e substituir o ônibus com o aparelho danificado para que nenhum passageiro seja prejudicado", informou Muller.

Atualmente, segundo o subsecretário municipal de Urbanismo e Transportes, Orlando Santos, as pessoas gastam muito tempo no deslocamento, por causa da atual organização das linhas de ônibus e dos congestionamentos, comuns em grandes cidades. "Com o Bilhete Único, o usuário de transporte vai poder chegar ao destino com mais rapidez e conforto, uma vez que as opções de linhas aumentam. Se ele sai de Cajazeiras, por exemplo, para a Barra, pode descer na Vasco da Gama ou no Iguatemi e pegar outro ônibus com o roteiro mais curto, sem pagar nada a mais por isso, otimizando a viagem e economizando tempo".

Com cartões diferentes, o superintendente da Transalvador, Fabrizzio Muller, testou a validação da meia passagem aos domingos e o novo sistema de integração em ônibus de diferentes empresas. Depois, junto com o subsecretário de Urbanismo, embarcou no coletivo que faz a linha Parque São Cristóvão-Barroquinha, da área B, para acompanhar o funcionamento do sistema no trajeto escolhido e tirar dúvidas da população. Descendo na Bonocô, fez integração com um coletivo de uma área diferente para chegar à Lapa, onde deu sequência à fiscalização.

Aprovação

O Bilhete Único recebeu elogios dos usuários do transporte público. O profissional autônomo Edilan Silva, que saiu de São Rafael para a Barra de ônibus, avaliou como positiva a ação da Prefeitura. "A população está exigente, querendo um serviço mais barato e de qualidade. E essa medida, sem dúvida, é um passo importante para a melhoria do sistema de transporte".

Para ele, o ponto mais significativo é a possibilidade de reduzir gastos com o Bilhete Único. "O melhor dessa proposta é que economizamos bastante. Quando gastamos menos de um lado, podemos investir mais em outras áreas, como lazer e alimentação". 

A auxiliar de serviços gerais, Maria do Carmo, vai à igreja todos os domingos e também gostou da nova medida. "Agora, além de pagar meia passagem aos domingos, posso contar com o Bilhete Único para ir a outros bairros".

A aposentada Valdelice Lima conhecia apenas o programa Domingo é Meia, mas comemorou quando soube do Bilhete Único, que permitiria partir de Sussuarana, bairro em que mora, para o Subúrbio, gastando menos. "Vou ver meu filho que está internado no hospital e não sabia ainda dessa medida. Vou comprar o cartão para não ter que pagar mais quatro passagens para ir e voltar de lá, sempre que for fazer visitas a ele".

Bilhete Único

O Bilhete Único está sendo implantado em três etapas. Nesse primeiro momento, beneficia quem se desloca de uma das quatro regiões de integração da cidade para outra. Agora, quem pegar dois ônibus para regiões distintas, num período de duas horas, paga apenas a primeira passagem, ou seja, R$ 2,80. Até sábado, quem precisava passar, por exemplo, da área A para a C pagava R$ 2,80 na primeira passagem e R$ 1,40 na segunda.

A medida vale para usuários do Salvador Card, que corresponde aos cartões para estudantes, trabalhadores que recebem vale-transporte e proprietários do cartão para bilhete avulso. Para adquirir o cartão para bilhete avulso, o usuário precisa ir a um dos 110 postos de venda e pagar R$ 5,60, valor equivalente a duas passagens.

Na segunda etapa do Bilhete Único, que vai valer a partir do dia 3 de novembro, usuários que pegam dois ônibus numa mesma região dentro de um período de duas horas pagarão apenas uma passagem. Com isso, o benefício será ampliado para toda a cidade, contemplando também quem pega dois coletivos para bairros próximos, respeitando sempre a direção do destino. A terceira etapa entrará em vigor apenas quando for feita a concessão do serviço de transporte, em fase de projeto. A depender dos resultados dos estudos, vai beneficiar quem pegar dois ônibus por um período de até três horas.

Domingo é Meia

O programa Domingo é Meia, implantado em março para quem paga passagem de ônibus em dinheiro, foi estendido aos usuários do cartão de bilhete avulso. Passageiros com cartão de estudantes e de vale-transporte não terão acesso ao benefício. A medida vai beneficiar 450 mil usuários do sistema, 100 mil a mais do que a primeira fase, com pagamento apenas em dinheiro.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

ACM Neto diz estar à disposição para receber manifestantes



O prefeito ACM Neto afirmou hoje (25) que continua à disposição para receber integrantes do Movimento Passe Livre (MPL) no Palácio Thomé de Souza. Ele afirmou que aceita dialogar com legítimos representantes do movimento. “Agora, não aceitarei conversar com pessoas que estão na verdade vestindo a camisa de partido político e querendo criar confusão em Salvador, querendo desestabilizar a cidade, e não dialogar”, declarou o prefeito, em entrevista coletiva no gabinete na qual anunciou a implantação do Bilhete Único e ampliação do Domingo é Meia, duas reivindicações do MPL. ACM Neto disse que tem conversado com o líder do governo na Câmara Municipal, vereador Joceval Rodrigues, sobre a possibilidade de receber integrantes legítimos do movimento no dia 8 ou 9 de agosto. Ele lembrou, entretanto, que está à disposição do movimento desde o dia 27 de junho, quando uma manifestação se dirigiu até a frente da Prefeitura para protocolar uma pauta de reivindicações. Naquela ocasião, os próprios manifestantes não chegaram a um entendimento para formar uma comissão com o objetivo de ser recebida pelo prefeito.

Fonte: Politica Livre

Prefeito institui Bilhete Único e amplia Domingo é Meia



O prefeito ACM Neto assinou hoje (25) os decretos sobre o Bilhete Único e ampliação do benefício do Domingo é Meia, durante coletiva de imprensa realizada no Palácio Thomé de Souza. Os dois decretos visam reduzir os custos com transporte dos usuários do sistema, e prevêem mudanças já para o próximo domingo (28). O prefeito afirmou que a Secretaria Municipal de Urbanismo e Transporte (Semut) fará a reorganização das linhas de transporte visando viabilizar o Bilhete Único, fazendo com que as pessoas passem menos tempo nos ônibus.

O Bilhete Único será implantado em três etapas. A primeira beneficia quem se desloca de uma das regiões da cidade para outra. Salvador é dividida em quatro regiões para a integração do sistema, que correspondem ao Subúrbio, Orla, Itapagipe e Centro, levando em conta algumas áreas do entorno. Quem precisa passar de uma região para outra atualmente paga R$2,80 na primeira passagem e R$ 1,40 na segunda. A partir desse domingo (28), quem pegar dois ônibus para regiões distintas, num período de duas horas, pagará apenas a primeira passagem, ou seja, R$2,80.

Na segunda etapa do Bilhete Único, que vai valer a partir do dia 3 de novembro, usuários que pegam dois ônibus numa mesma região dentro de um período de duas horas pagarão apenas uma passagem, ou seja, R$2,80. Com isso, o benefício será ampliado para toda a cidade, contemplando também quem pega dois ônibus para bairros próximos. A terceira etapa valerá apenas quando for feita a concessão do serviço de transporte, em fase de projeto, e nessa fase o Bilhete Único beneficiará quem pegar dois ônibus num período de três horas.

A medida vale para usuários do Salvador Card, que corresponde aos cartões para estudantes, trabalhadores que recebem vale transporte e proprietários do cartão para bilhete avulso. Para adquirir o cartão para bilhete avulso, o usuário precisa ir a um dos 110 postos de venda e pagar o valor de duas passagens, ou seja, R$5,60. "Já começamos a conversar com o Sindicato das Empresas de Transporte Público de Salvador (Setps) para aumentar o número dos postos de venda e facilitar o acesso do cidadão ao cartão", afirmou o prefeito, que estava acompanhado do secretário de Urbanismo e Transporte, José Carlos Aleluia, e do superintendente da Transalvador, Fabrizzio Muller.

Domingo é Meia - O programa Domingo é Meia, que foi implantado em março para quem paga passagem de ônibus em dinheiro, será ampliado para os usuários do cartão de bilhete avulso. Usuários do cartão de estudantes e de vale transporte não terão acesso ao benefício. ACM Neto explicou durante a coletiva que era essencial que o programa passasse por uma fase de adaptação para ser ampliado, o que aconteceu nesses quatro meses de vigência. A medida, que vai beneficiar 450 mil usuários do sistema, 100 mil a mais do que a primeira fase, com pagamento apenas em dinheiro, também passa a valer neste domingo (28).


Aos domingos, os usuários terão o benefício dos dois programas: quem tiver o cartão do bilhete avulso pagará R$1,40 na passagem do primeiro ônibus e na segunda passagem não terá qualquer custo. Quem pagar passagem em dinheiro, no entanto, não terá direito ao Bilhete Único porque não fará a integração entre as áreas. Nesse caso, terá que pagar R$1,40 em cada passagem.

ACM Neto fará apelo ao TJ-BA sobre Louos e PDDU



O prefeito ACM Neto informou hoje (25) à imprensa, em coletiva no Palácio Thomé de Souza para anunciar a implantação do Bilhete Único e ampliação do Domingo é Meia, que vai fazer um apelo ao presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), desembargador Mário Alberto Hirs, para que retome imediatamente o julgamento sobre as alterações do PDDU e da Louos. O TJ-BA, em decisão liminar, suspendeu ontem as alterações sem acolher o pedido de modulação apresentado pela Prefeitura e Ministério Público Estadual (MPE).

"A decisão do tribunal atrasa obras estruturantes e importantíssimas, que vão mudar o perfil da cidade. Além disso, paralisa o mercado imobiliário, gerando desemprego. A Prefeitura e o Ministério Público fizeram o pedido de modulação depois de um debate exaustivo que durou quatro meses, produzindo algo que é equilibrado e que, na minha opinião, deveria ser imediatamente acatado", salientou ACM Neto.


O prefeito lembrou que a Prefeitura e o MPE chegaram a um consenso sobre a desjudicialização da Louos e PDDU, e afirmou estar "muito preocupado" com a decisão do TJ-BA. Ele revelou que vai pedir audiência o mais rápido possível com o presidente do Tribunal. "Farei pessoalmente esse apelo ao presidente para que a cidade tenha seu curso normal de desenvolvimento, geração de emprego e renda e equilíbrio social".

quinta-feira, 27 de junho de 2013

ACM Neto segue à disposição para receber manifestantes



O prefeito ACM Neto afirmou hoje (27), em coletiva à imprensa, que continua inteiramente à disposição para receber os manifestantes que queiram debater os temas que dizem respeito ao dia a dia da cidade. Ele afirmou que não recebeu os manifestantes durante o protesto que aconteceu em frente à Prefeitura porque o movimento não conseguiu o consenso em torno da formação de uma comissão para apresentar as reivindicações junto ao gestor no Palácio Thomé de Souza. “Estou disposto a debater e analisar todos os itens da pauta”, frisou ACM Neto.

O prefeito lembrou que, antes mesmo das manifestações tomarem conta das ruas em todo o país, havia tomado a decisão de congelar a tarifa de ônibus este ano. Ele destacou ainda a implantação do programa “Domingo é meia”. O prefeito anunciou novas medidas na área do transporte público. “Estamos conectados com as preocupações demonstradas nas ruas. Já solicitei junto à Secretaria de Urbanismo e Transporte que determine a todas as empresas de ônibus que divulguem suas planilhas de custo. Todo cidadão tem direito de saber como é composta tarifa”, salientou.


O prefeito determinou a reativação do Conselho Municipal de Transportes, com a plena participação da sociedade, e afirmou que está em fase de conclusão o projeto da nova concessão do serviço de transporte. Sobre a possibilidade de reduzir o valor da tarifa de ônibus em Salvador, ele afirmou que essa medida só pode ser tomada se a União garantir mais desonerações. “Salvador não tem condições de subsidiar uma redução. Assumi a cidade com uma dívida de R$3,5 bilhões e um déficit de R$500 milhões no orçamento deste ano”.

sábado, 22 de junho de 2013

ACM Neto diz que manifestações tem "nobreza e legitimidade"



O prefeito ACM Neto afirmou nesta sexta-feira (21) que a cidade amanheceu em clima de total tranquilidade, de muita paz, após as manifestações que aconteceram ontem (20). "Não houve nenhum prejuízo aos serviços públicos essenciais. A Prefeitura trabalhou ao longo da noite de ontem e toda madrugada de hoje para garantir a limpeza, na atenção aos postos de saúde - que foram bastante demandados e funcionaram muito bem -, na operação de trânsito - que também ocorreu como planejado. De modo que a primeira mensagem que trago aqui é de tranquilidade", ressaltou o prefeito.

ACM Neto reafirmou a legitimidade da manifestação. "Acho que é uma prova muito clara de que a democracia no Brasil está saudável e pulsante. Entendo que todos os políticos devem estar atentos aos recados das ruas, devem, nesse momento, refletir muito sobre as mensagens trazidas por essas manifestações. Não há dúvida que a grande maioria das pessoas vai às ruas para cumprir com seu dever cívico e colocar suas posições. A nobreza e legitimidade desse processo não pode ser maculado por um grupo muito pequeno que não está na origem das manifestações, no coração e no centro daqueles que querem demandar coisas que são legítimas. Uma minoria deve ser tratada como exceção e não pode comprometer a maioria". 

O prefeito disse que cada vez mais está convencido da decisão acertada de não permitir aumento da passagem de ônibus este ano, tomada logo após o lançamento do programa "Domingo é meia", muito antes, portanto, do início das manifestações em todo o país. ACM Neto lembrou que em outras cidades onde houve aumento as prefeituras estão voltando atrás, o que não precisou ocorrer em Salvador. No caso da capital baiana, que está há dois anos sem aumento de passagem, o prefeito frisou que não há possibilidade de redução sem que ocorra uma grande mobilização nacional por uma redução maior de tributos e taxas que incidem sobre o setor do transporte público.

"O 'Domingo é meia' trouxe um impacto direto que, se não fosse meu compromisso de não reajustar a passagem, o sindicato dos empresários do setor podia estar pressionando pelo aumento e eu não aceitei. Agora recentemente houve a negociação entre o sindicato patronal e os rodoviários, quando foi concedido um reajuste salarial à categoria de 9%. Da mesma forma, deixei claro que não permitiria que esse reajuste incidisse na tarifa. Além disso, temos a inflação do período, inflação que está sendo sentida por todos nós e é uma realidade no Brasil. Pois não permitir que a inflação fosse repassada ao valor da passagem. Hoje, sem novas desonerações, e isso precisa ser discutido no Congresso, não podemos diminuir o preço da passagem", explicou.   

ACM Neto afirmou que a Prefeitura está estudando com empenho diversas mudanças para melhorar a qualidade do transporte público na cidade. "Isso vai começar a ser feito ainda esse ano com a nova concessão do serviço. Vamos apresentar uma série de exigências a quem vier a ser o futuro concessionário, como renovação de frota, diminuição tempo deslocamento, revisão das linhas, ampliação do número de ônibus . Nossa prioridade é o transporte coletivo". 

O prefeito fez votos para que novas manifestações aconteçam em clima de paz e sem violência. Ele lembrou que também é responsabilidade do cidadão o cuidado e a preservação dos espaços públicos, e que, por isso, não ia determinar fechamento de praças ou monumentos. "O que a gente pede, na hipótese de haver outros movimentos, é que as pessoas cuidem da cidade. O espaço público pertence a todos, e não ao governo. E sei que grande maioria dos manifestantes têm essa compreensão e não concorda a nenhum tipo de dano aos espaços públicos em nossa cidade". 


O prefeito afirmou ainda que a atual gestão reduziu drasticamente os investimentos previstos para a Copa das Confederações, sobretudo na área da mobilidade. Ele admitiu ainda que Salvador não estava preparada para receber o evento.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Prefeito vai trabalhar com Estado pela melhoria da Baixa dos Sapateiros



O prefeito ACM Neto afirmou nesta sexta-feira (07) que vai trabalhar junto com o governo estadual para melhorar as condições da Baixa dos Sapateiros com ações complementares às que foram anunciadas pelo governador Jaques Wagner, que deu ordem de serviço para requalificação urbanística, pavimentação, passeio e iluminação pública da região. ACM Neto anunciou que vai se reunir nos próximos dias com o chefe da Casa Civil do Estado, Rui Costa, para discutir o aproveitamento de imóveis, alguns inclusive com riscos aos pedestres, e comerciantes da região.

"Vamos também estimular ambulantes que se instalem no novo shopping que será criado na Baixa dos Sapateiros, através da iniciativa privada. Também vamos qualificá-los, melhorando as condições de trabalho, como já está sendo feito com trabalhadores da Avenida Sete de Setembro, que passa por reordenamento. Quero agradecer e reconhecer a disposição do governador em ajudar Salvador", afirmou o prefeito, que lembrou os recursos de R$ 150 milhões que o município receberá para obras do PAC das Cidades Históricas.


A ordem de serviço assinada pelo governador prevê obras para a primeira etapa da requalificação, que demanda mais de R$ 13 milhões de investimentos, com previsão de serem finalizadas em 12 meses. O governador ainda deve anunciar a segunda etapa, que prevê a requalificação das fachadas. Nesse caso, serão mais de R$ 12 milhões. Entre as intervenções que serão executadas pela Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado (Conder) está a colocação da fiação em faixa subterrânea e a retirada de marquises que não oferecem segurança.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Em audiência pública, prefeito lembra mudanças e tranquiliza ambulantes da Lapa



Durante audiência pública, promovida pela Comissão de Transportes da Câmara Municipal, na manhã desta quinta-feira, o prefeito ACM Neto tentou tranquilizar os vendedores ambulantes temerosos com o projeto da Prefeitura de realizar processo licitatório para a concessão da Estação da Lapa à iniciativa privada. “Não fiquem agoniados antes da hora. No momento certo, o diálogo será aberto e encontraremos uma maneira para que o ganha-pão de vocês não seja comprometido”, afirmou. Aos vários ambulantes, que lotavam o auditório do Centro Cultural da Câmara, ACM Neto disse que, a partir da semana que vem, a Prefeitura vai investir quase R$ 2 milhões na requalificação da Estação da Lapa, reativando as escadas rolantes, melhorando os banheiros e a iluminação. “Além disso, já determinei ao secretário municipal de Urbanismo e Transporte, José Carlos Aleluia, que contrate uma empresa privada para garantir a segurança na Lapa, que deverá contar ainda com o reforço da Guarda Municipal e o apoio da PM”, informou o prefeito. ACM Neto destacou ainda que a licitação da concessão vai ocorrer posteriormente. “O parceiro privado que ganhar a concorrência deverá fazer a operação da Lapa num padrão que a transforme em referência nacional de qualidade”. Indagado sobre as outras estações de transbordo da cidade, o prefeito esclareceu que elas agora são de responsabilidade do Governo do Estado depois da transferência do controle da Companhia de Transporte de Salvador (CTS), empresa administradora do metrô e trens do Subúrbio. “Mas não tenho dúvida que, assim como eu, o governador Jaques Wagner vai encontrar uma solução benéfica a vocês”. Reiterando o dito anteriormente pelo secretário Aleluia, ACM Neto afirmou que a prioridade de sua gestão na questão mobilidade urbana é o transporte coletivo. “Ainda este ano, vamos também licitar a concessão do sistema municipal de transporte público, quando pretendemos renovar a frota, redesenhar as linhas para oferecer mais conforto e rapidez nos deslocamentos. Também vamos implementar o bilhete único”, concluiu.

Prefeito autoriza contratação de aprovados em concurso para Educação




O prefeito ACM Neto autorizou hoje (5) a contratação de 500 profissionais da educação que foram aprovados em concurso público em 2010. Serão 250 professores e 250 coordenadores pedagógicos para preencher o déficit de 900 salas de aula sem esses profissionais, segundo registros de dezembro de 2012. As contratações representam impacto de R$ 12 milhões na folha de pagamento da Prefeitura. O anúncio foi feito no Centro Cultural da Câmara de Vereadores, na Praça Municipal, na presença do secretário da Educação, João Carlos Bacelar, do secretário de Gestão, Alexandre Pauperio, entre outros secretários e vereadores.

"Isso mostra o compromisso da Prefeitura com os servidores e com o funcionalismo público. Quando assumi o mandato, garanti professores em todas as salas de aula. Essa é uma medida que gera postos de trabalho aqui na nossa cidade, que melhora também a qualidade da educação. Esse é um dos dias mais importantes da minha gestão", afirmou o prefeito, destacando o esforço orçamentário que está sendo feito para essas contratações por conta da difícil situação vivida pela atual administração.

Convênio

Na ocasião, também foi assinado convênio com 40 creches comunitárias para garantir repasse da Prefeitura para essas entidades. Foram assegurados mais de R$ 3 milhões para o atendimento a 1,3 mil alunos. Segundo o secretário João Carlos Bacelar, o convênio permite a manutenção dos serviços prestados pelas creches comunitárias que atuam no sentido de auxiliar a Prefeitura na universalização da educação. "A creche comunitária é a mais pública das escolas públicas e, por isso, merece o incentivo que recebe hoje da Prefeitura através desse convênio", afirmou Bacelar. A meta é contemplar, até 2016, mais 20 mil crianças na pré-escola.

terça-feira, 28 de maio de 2013

ACM Neto anuncia intervenções para melhoria do trânsito



O prefeito ACM Neto, o secretário municipal de Urbanismo e Transporte, José Carlos Aleluia, e o superintendente da Transalvador, Fabrizzio Muller, apresentaram hoje (29), em coletiva de imprensa no Palácio Thomé de Souza, mudanças planejadas no trânsito de Salvador, com medidas a serem tomadas a curto, médio e longo prazo. As principais intervenções acontecerão nas avenidas Joana Angélica, Paulo VI, Octávio Mangabeira, Rótula do Abacaxi, Tancredo Neves, Paralela, além da Rua Chile. Também fo a regulamentação da carga e descarga e circulação de veículos pesados, em decreto ainda a ser publicado.

O decreto prevê restrição do trânsito nas Zonas de Restrição de Carga e Descarga (ZRCD) e Áreas de Restrição a Circulação (ARC). A carga e descarga serão proibidas de segunda a sexta-feira, das 6h às 21h, e aos sábados, até as 14h. Aos domingos e feriados, estarão liberadas. Já a circulação de caminhões grandes, veículos urbanos de carga (VUC), que são aqueles com largura até 2,20m e comprimento de 6,50m, e dos caminhões porta-contêineres estará proibida de segunda a sábado, das 6h às 10h, de segunda a sexta-feira, das 17h às 20h, e aos sábados, domingos e feriados, das 9h às 20h. A proibição de circulação vale também para a orla.

A Prefeitura também estuda a contratação de empresas para o monitoramento do trânsito de Salvador, que serão credenciadas e treinadas pela Transalvador. A medida prevê o monitoramento em áreas como escolas e onde estejam sendo realizadas obras viárias ou grandes eventos. Essas empresas, no entanto, não terão poder de fiscalização, que continuará sendo feita pela Prefeitura. O objetivo é dar apoio operacional no controle e monitoramento, garantindo resposta rápida em situações emergenciais.

Região do Iguatemi – Na Avenida ACM, a Transalvador vai reforçar a sinalização horizontal em frente ao Bradesco, no cruzamento entre a avenida e a Paulo VI, em frente ao Parque da Cidade, Petrobras e Hotel Fiesta, reforçando a proibição de obstrução do cruzamento. A região do entorno também será beneficiada com a construção de duas passarelas: uma na Avenida Tancredo Neves, em frente ao Shopping Sumaré, com obras já em andamento, e outra em frente à Madeireira Brotas, que custará cerca de R$3 milhões com recursos assegurados. A região também vai receber semáforos inteligentes que vão melhorar a trafegabilidade, especialmente em horários de pico.

Centro – Na Avenida Joana Angélica, a Transalvador vai melhorar a fluidez do tráfego com a implantação de duas faixas de trânsito no sentido do Campo da Pólvora, e uma no sentido da Piedade, medida que será tomada baseada em estudos técnicos sobre o volume de carros que passam diariamente pelo local. Para permitir a mudança, será proibido o estacionamento ao longo da avenida. Ainda no Centro, será feita alteração no tráfego da Rua Chile no sentido Pelourinho, valorizando o acesso ao Centro Histórico.

Avenida Paulo VI e orla – Será implantado um sentido único para carros e caminhões para quem segue para o Caminhos das Árvores. No sentido inverso, para a orla, será implantada apenas uma via exclusiva para ônibus, mantendo o atendimento dos transportes coletivos na região. Já na Octávio Mangabeira, será colocada uma faixa solidária no contrafluxo no período da manhã, que vai poder ser utilizada por veículos de pequeno porte num trecho de aproximadamente 4,8km entre Piatã e Boca do Rio, no sentido Centro.

Bonocô e Rótula do Abacaxi – Na Avenida Bonocô, a Transalvador vai melhorar a fluidez do tráfego realocando o ponto de ônibus próximo ao acesso à Avenida ACM e BR-324 para o local em frente ao posto Mataripe. A mudança vai permitir que os ônibus parem no ponto sem afetar o fluxo na via principal. Na Rótula do Abacaxi, a Transalvador avalia, junto com a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Bahia (Conder), responsável pelas obras, relocar pontos de ônibus no sentido da Avenida Bonocô.

Estação da Lapa – Está pronto e será encaminhado nos próximos dias para a Câmara de Vereadores um projeto de lei que propõe a concessão da Estação da Lapa para a iniciativa privada. ACM Neto destacou, na ocasião, que não se trata de privatização. Será aberto um Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) e a Prefeitura ainda garantirá uma outorga para a empresa vencedora da licitação. Até o procedimento ser finalizado, o local passará por serviços de impermeabilização, drenagem, pintura, reforma dos banheiros, programação visual, entre outras ações que vão melhorar as condições da estação.


Segundo o prefeito, as medidas foram amplamente estudadas pelos técnicos da Transalvador e, algumas serão colocadas em prática em fase de teste, podendo ser reavaliadas caso não se alcancem os objetivos almejados. “Algumas medidas, como a implantação das cinco faixas na Avenida Paralela, que será sinalizada dessa forma após o recapeamento da via, são definitivas, assim como a construção das passarelas na Avenida Tancredo Neves e em frente à Madeireira Brotas. Mas outras, como as que preveem mudanças no fluxo nas Avenidas Joana Angélica e Paulo VI, serão colocadas em prática, mas podendo ser revistas. O que não podemos fazer e ver a situação como está e ficarmos imobilizados”, afirmou.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

ENTREVISTA: ACM Neto, prefeito de Salvador

 


Embora considere "precipitada" o que chama de "antecipação" da disputa presidencial, o prefeito ACM Neto (DEM) se diz aberto a dialogar com todas as correntes que postularem o Palácio do Planalto em 2014. Apesar da ligação com o grupo que se opõe ao atual governo federal, em entrevista exclusiva ao Bahia Notícias, o gestor soteropolitano declarou que o seu apoio não está definido  para uma eventual candidatura do senador Aécio Neves (PSDB-MG). "Evidentemente que eu tenho uma história, eu tenho amigos e eu tenho um ambiente político no qual me forjei. Tudo isso vai ser pesado, mas eu não posso me negar a conversar com ninguém", avisou, ao não descartar dialogar com tradicionais adversários e até mesmo subir no palanque da presidente Dilma Rousseff e do PT: "Quando eu digo 'com ninguém', é com ninguém". Mesmo cotado à sucessão do governador Jaques Wagner, ele utiliza o argumento de que um ano e três meses é pouco tempo para promover a transformação que pretende na cidade e de que quer "colher os frutos" do seu trabalho para reiterar que não será candidato, mesmo que haja clamor popular."Não há hipótese", resumiu. Sobre a sua administração, o democrata fez um balanço dos 150 primeiros dias no comando da capital baiana, minimizou a greve de parte dos servidores municipais, falou das dificuldades financeiras e, mesmo assim, anunciou projetos impactantes. Entre eles, o de requalificação da orla, o reordenamento dos ambulantes, a "redefinição" da Guarda Municipal, que será armada, bem como intervenções no trânsito, a exemplo da criação de uma quinta faixa na Avenida Paralela e o retorno este mês da Lei de Carga e Descarga, além da concessão da Estação da Lapa. "Continua sendo propriedade da prefeitura, mas vai ser explorada pela iniciativa privada. Vai ter um novo empreendimento ali, de elevadíssimo porte, que vai transformar a Lapa na mais moderna estação de ônibus do Brasil", apostou. Em relação às polêmicas, Neto revelou que a reforma tributária terá cerca de 40 emendas – inclusive a remoção da cobrança do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) nas incorporações imobiliárias – e disse que estabeleceu um "altíssimo nível" na relação do Executivo com a Câmara de Vereadores. Quanto ao pedido de concessão judicial para realizar obras para a Copa do Mundo, ele afirmou que vai cumprir a determinação do desembargador José Edivaldo Rotondano, mesmo que seja mantido o caráter deliberativo do Conselho das Cidades, que pode atrasar a conclusão de algumas intervenções. A respeito do programa Alfa e Beto, cuja suspensão foi requerida pela promotoria estadual, ele pede que o Ministério Público aguarde um ano para que as avaliações dos estudantes sejam comparadas. "Um compromisso eu posso assumir com a cidade, com a responsabilidade de prefeito. Se o programa não der resultados, se na avaliação os alunos não demonstrarem um bom desempenho, a gente elimina o programa", prometeu.

Bahia Notícias – Como o senhor avalia os cinco primeiros meses à frente da prefeitura de Salvador? Falou-se em algumas mudanças em 100 dias e já estamos com 150. Quais são as principais conquistas que o senhor pode enumerar?

ACM Neto – Conforme nós já havíamos antecipado, seja na campanha, seja no período de transição, seja na solenidade de posse, a primeira tarefa é arrumar a casa. Nós encontramos uma prefeitura com muitos problemas: problemas administrativos sérios, problemas financeiros gravíssimos e, evidentemente, esse conjunto de problemas se reflete no dia-a-dia da cidade, na prestação dos serviços essenciais do município. Nos primeiros dias de governo, nesses primeiros quatro meses, nós procuramos começar a mudar a cultura de governança da cidade, ter um novo padrão de contorno administrativo e promover o ajuste orçamentário essencial para o equilíbrio das contas públicas. Aí, é claro que a aprovação desse conjunto de medidas tributárias vai ter  um peso muito importante também nesse contexto, afinal de contas é o que vai permitir que a cidade tenha uma outra perspectiva de arrecadação a médio e longo prazos. Conseguimos melhorar já alguns serviços, a exemplo da limpeza, a cidade estava muito suja e foi feito um grande esforço nessa direção. Estamos agora esperando que se passe esse período de chuvas  em definitivo para começar um processo consistente de recuperação da malha asfáltica. Eu já assegurei R$ 30 milhões até o mês de junho e eu espero acrescer a esses recursos mais um outro volume para o segundo semestre, o que vai permitir não apenas o tapa-buracos, mas também a obra mais consistente de recuperação asfáltica, ou seja, a fresagem e a recomposição do pavimento da cidade, que é muito importante. Nós estamos em um processo gradativo de colocação de médicos nos postos de saúde, para que todas as unidades do Município possam ter funcionamento pleno. Nós recebemos a área de saúde com 12% de cobertura do [Programa de] Saúde da Família. Nós já temos, nesse momento, 19% de cobertura e queremos chegar, até o fim do ano, a 27% de cobertura, ou seja, mais do que o dobro. Demos uma série de ordens de serviço para reformas de unidades de saúde, construção de novos postos e de novas unidades de pronto-atendimento, as UPAs, que vão funcionar atendendo à urgência e emergência. No setor do trânsito, começamos um processo de organização e, esta semana, eu vou apresentar um conjunto de ações que vão ser realizadas agora, de imediato, no trânsito de Salvador, que vão ter impacto, no que eu chamo de ações de engenharia e inteligência de tráfego. Nós conseguimos, nesse período, implantar o "Domingo é Meia", que foi uma outra iniciativa com elevado impacto popular. Nós conseguimos enfrentar problemas que eram verdadeiros esqueletos que estavam no armário e que exigiram tempo e dedicação pessoal do prefeito. Por exemplo, a solução para o metrô, que nós conseguimos apresentar à cidade em quatro meses de governo, algo se estendia há 12 anos. O problema do PDDU [Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano], que estava judicializado, com todo um conflito entre prefeitura e Ministério Público, e nós conseguimos chegar a um entendimento para que pudesse ser desjudicializado e a cidade tivesse o seu caminho normal de retomada do setor imobiliário, que é decisivo para a nossa economia. Nós avançamos muito em relação ao Projeto Orla, e eu diria que está bem maduro e aguarda apenas a decisão da Justiça Federal. Mas eu tenho toda a confiança de que [a decisão] sairá em breve para permitir o desenvolvimento do projeto. Nós vamos apresentar agora, no início de junho, o conjunto das nove intervenções que vão ser feitas na orla de Salvador, detalhando esse projeto, o que vai permitir uma requalificação urbana da orla e a reimplantação de equipamentos. Não é na lógica daquelas conhecidas barracas de praia, mas são novos equipamentos modernos, que vão oferecer serviço e oportunidade para o soteropolitano e para o turista ter a orla de Salvador como elemento de lazer. Desse conjunto de intervenções na orla algumas já começaram, a exemplo da Boca do Rio, outras vão ser dadas ordens de serviço agora, como na Ribeira, e as nove intervenções vão estar concluídas antes da Copa do Mundo, inclusive a da Barra, que é a mais substantiva de todas elas. Além disso, uma série de outras ações pontuais, em diversas secretarias, como o início da implantação do programa Aluno em Tempo Integral. Nós temos seis escolas funcionando em tempo integral. Já concluímos o projeto dos centros de educação integral, que vão ser centros mais amplos, e estamos agora iniciando o processo de licitação para esses centros. Enfim, são muitas coisas.

BN – Então, dá para ver que mudou?

ACM Neto
– Eu acho que sim. Sobretudo, eu acho que a cidade já respira um novo momento. Percebe que existe um poder constituído, que faz valer a sua autoridade. E mais do que isso: eu acho que há uma compreensão da população de Salvador de que as coisas não vão acontecer da noite para o dia. Eu gosto sempre de dar esse exemplo: quando a gente vê o buraco na rua, na verdade, ele é o último elemento de uma cadeia de coisas que acontecem até o buraco existir na rua e essa cadeia de coisas precisa ser enfrentada. O enfrentamento passa pelo quê? Pela reorganização administrativa e, obviamente, pela saúde financeira do Município. Então, desde o começo, eu procurei não estabelecer prazo para as coisas, exatamente com o objetivo de mostrar que eu não segui o caminho mais fácil, mas sim o necessário. Tenho certeza que, com a aprovação desse conjunto de medidas tributárias, com os projetos que nós estamos encaminhando ao governo federal para obter financiamento e apoio federal – são três grandes projetos estruturantes que estão sendo discutidos com o governo federal que, no momento oportuno, serão divulgados à cidade (risos) – e com as parcerias público-privadas, que nós já começamos a desenhar aqui e que vão ser viabilizadas a partir do momento em que os ativos da prefeitura possam ser dados em garantia para essas PPPs, com essas três grandes vertentes, Salvador, nos três próximos anos, pode ter uma perspectiva de alavancar recursos que superam a casa dos R$ 6 bilhões. Entre recursos públicos e privados. Aí sim, nós vamos ter os projetos transformadores, nós vamos ter as ações que vão ter impacto a médio e longo prazo na cidade. Estou absolutamente convencido que o caminho é esse. É claro que tudo isso depende de tempo, depende de foco, depende de energia concentrada e dedicada para que esse caminho seja alcançado, mas nós vamos chegar lá.

BN – Atualmente, a gente tem uma greve dos servidores municipais. Queria saber em que pé estão as negociações. Há possibilidade aumento ou realmente vai ser 0%, como os sindicatos têm reclamado? Ainda dentro desse contexto, queria que o senhor comentasse as declarações de dirigentes do Sindseps que se queixam de que eles seriam o único sindicato a ter legitimidade para conduzir as negociações e reclamam de outras entidades que fazem parte da mesa.

ACM Neto – Bom, o que é que nós fizemos? Inclusive, isso foi objeto de um dos decretos que eu assinei no dia 2 de janeiro. Nós montamos uma mesa permanente de negociações. Para quê? Para garantir que esse não seja um debate de um ano. Eu quero fazer um debate de quatro anos. Eu quero ter uma política de valorização do servidor. Essa é uma política do meu governo. Então, essa mesa está posta e é uma mesa que garante um debate amplo, democrático e participativo. Eu não vou opinar sobre eventuais disputas que existam entre sindicatos. Pelo contrário, espero que essas eventuais disputas não prejudiquem o interesse maior do servidor. Segundo, nós iniciamos o diálogo um dia, cinco dias depois o sindicato decreta uma greve, que eu não tenho dúvida: foi uma greve precipitada. Até porque, eles [grevistas] não ouviram de nenhuma autoridade da prefeitura que não seria dado reajuste. Isso não foi dito. Eles apresentaram uma pauta de 100 itens e nós estamos discutindo essa pauta. O que é que eu registro? Que houve uma precipitação do sindicato, no momento em que decretou a greve, e essa precipitação resultou em uma baixíssima adesão. Você pode ver nos órgãos da prefeitura que a maioria esmagadora dos servidores estão trabalhando. Por quê? Porque você tem a compreensão de que não se pode esgotar uma negociação em uma semana. Da mesma forma, e eu registro isso, também há uma compreensão do servidor desse momento extremamente difícil que vive a prefeitura. Tem um dado que eu considero muito relevante. Nesse ano, o aumento de pessoal, na nossa folha, significa 24% se comparado ao ano de 2012. Ou seja, a folha do pessoal do Município de Salvador é mais cara 24% do que foi em 2012. Eu estou pagando a conta de uma negociação que foi feita anterior a mim, mas que eu vou pagar. Eu tenho um déficit de pessoal de R$ 100 milhões. O que eu não posso fazer é ser irresponsável. Eu vou dizer aqui que vou dar um aumento e, quando chegar em dezembro, ficar sem pagar a folha? Não posso. Uma premissa fundamental do nosso governo é ajustar as nossas despesas às receitas. O que eu quero fazer é discutir essa pauta dos servidores, verificando o que pode ser concedido este ano, e sobretudo sinalizando essa política de valorização, que vai dar à prefeitura uma margem muito maior a partir do segundo ano. Por quê? Porque a partir do segundo ano nós, depois de termos esse conjunto de medidas implementadas e com a elevação da receita do Município, vamos ter uma folga maior para conceder reajustes e benefícios aos servidores. Então, este ano, nós vamos apresentar uma proposta, não há dúvidas. Ela vai ser, digamos, um começo de política de valorização, que eu quero que seja de quatro anos. Agora, eu não posso desconsiderar as sérias restrições orçamentárias e financeiras que existem hoje no Município e, sobretudo, esse impacto de 24% a mais na folha e o déficit de R$ 100 milhões que eu tenho de equacionar.

BN – Esse número subiu, exatamente, de R$ 1,53 bilhão para R$ 1,9 bilhão por ano. O prefeito ACM Neto tem um orçamento de R$ 4 bilhões este ano, ou seja...

ACM Neto
– Quase metade do meu orçamento está comprometido com pessoal.

BN – Pois é, como resolver essa questão? Como o senhor pensa em reduzir essa folha? Porque a arrecadação a gente sabe que tem dificuldade de aumentar se não forem implementadas essas medidas.

ACM Neto – O que nós estamos fazendo? Primeiro, a prioridade é elevar a receita para que esse impacto seja menor do que é hoje. Segundo, nós estamos fazendo um esforço grande de revisão dos contratos terceirizados da prefeitura. Nós vamos, inclusive, em breve, apresentar toda uma nova disciplina para a terceirização de serviços no Município de Salvador, o que vai resultar em mais economia e, portanto, em um peso menor desse item 'terceirizados' no nosso orçamento. Nós conseguimos, no primeiro quadrimestre, economizar com a chamada despesa de custeio, ou seja, nós conseguimos economizar com a máquina. Se eu não tivesse economizado com a máquina, eu não teria equilibrado o orçamento nesse começo de governo e aí esse déficit de R$ 100 milhões seria impossível de ser equacionado. O meu esforço é reduzir despesa e tentar de alguma maneira elevar a receita, o que não aconteceu até agora e só poderá acontecer na medida em que a gente aprovar a reforma tributária. Evidentemente, fazer tudo isso discutindo novos benefícios para o servidor e, não só, mas contratando mais gente. Porque você tem escola sem professor, você tem ainda posto sem médico e tudo isso demanda o quê? Contratação. Contratação significa o quê? Aumento ainda maior do peso de pessoal nas contas do Município. Não tem jeito. É reduzir despesas com custeio, que é o que nós estamos fazendo, e aumentar receita, que é o principal esforço da prefeitura.

BN – O senhor espera ter uma dificuldade muito grande para aprovar essa reforma na Câmara? Porque, assim, só fazendo uma observação, a relação com o PTN teve um estremecimento. Os vereadores da bancada...

ACM Neto – Me desculpe, mas agora a relação com o PTN agora está melhor do que nunca.

BN – Mas os vereadores pressionaram e chegaram a chantagear...


ACM Neto
– Não é verdade...

BN – Não chegaram a pressionar o secretário [João Carlos Bacelar] a deixar a pasta?

ACM Neto – Não é verdade. Eu acho que existe muito folclore, existem muitas informações que são plantadas na imprensa. Isso faz parte do meio político. Não é a primeira e nem será a última vez. Eu, quando assumi, procurei primeiro levar uma mensagem aos vereadores de que toda a minha trajetória foi na política. Eu fui forjado no parlamento. Dez anos como deputado federal. Então, eu sou um homem da política. Agora, é claro que o modelo de relação com a Câmara tem que seguir padrões que sejam elevadíssimos para a Câmara e para a prefeitura. Disso eu não abro mão e percebo que há uma compreensão dos vereadores. Ter queixa é normal. Elas sempre vão existir, sobretudo no início de uma administração onde as coisas têm todo um processo de acomodação e ajustamento. Eu acho que essa fase, digamos, mais evidente de queixas foi superada. Eu entendo que a nossa base está muito bem organizada na Câmara de Vereadores, mas sobretudo acho que há uma compreensão do Legislativo de que essa reforma é decisiva para o futuro de Salvador. Está nas mãos da Câmara agora decidir que futuro quer para a cidade de Salvador. Essa não é uma reforma boa só para a gestão do prefeito ACM Neto. Ela será essencial para qualquer prefeito que suceda a minha administração. Inclusive, lamento ver setores da oposição radicalizando contra a reforma. A política é cíclica. Amanhã pode ser um prefeito de um partido de oposição que vai pegar uma cidade com uma base muito melhor. O que é que a gente enxerga? A população não aguenta mais viver refém de uma realidade de uma prefeitura quebrada e o que é que nós estamos propondo? Estamos propondo arrecadar sem aumentar imposto, ou seja, fazer pagar quem deve. Essa é a lógica da nossa reforma. Eu acho que a Câmara tem essa compreensão. Nós dialogamos desde o começo. No dia em que eu apresentei a reforma, eu convidei os vereadores primeiro para conhecê-la. O secretário da Fazenda [Mauro Ricardo Costa] já foi três vezes à Câmara debater o assunto e nós deveremos acatar cerca de 40 emendas que já foram sugeridas pelo Poder Legislativo. Mudanças vão ser feitas no texto. Muitas delas brotaram de demandas de entidades com representação na sociedade. Eu, aqui, recebi pessoalmente cada uma dessas entidades: Fecomércio, Fieb, Associação Comercial, Ademi, OAB, Abav, Abap. Enfim, todas as entidades que se dirigiram com pleitos foram recebidas, as suas solicitações foram examinadas e nós vamos ter alterações em conjunto com a Câmara, porque esse é o poder realmente do Legislativo, que é aperfeiçoar o projeto do Executivo.

BN – Um dos pontos criticados na reforma tributária por advogados e empresários foi a cobrança de 5% de ISS sobre incorporações imobiliárias, que teria ficado subentendida no texto. Além disso, Victor Ventin, da Fieb, disse que o projeto era um "cheque em branco", o especialista em direito tributário, Marcelo Nogueira Reis, previu uma "guerra judicial" com a prefeitura e o vereador Edvaldo Brito (PTB), que é tributarista, chegou a falar que o projeto tinha "viés autoritário". Recentemente, a OAB informou ao Bahia Notícias que houve um compromisso do prefeito de mudar o texto. Isso vai acontecer?

ACM Neto – A emenda da OAB foi acatada da mesma maneira que há uma tendência, e eu não quero antecipar isso porque precisa ser conversado com a Câmara, de que a gente suprima do texto o ISS sobre as incorporações. Esse é um assunto que está bem avançado e deve ser um dos objetos de negociação e entendimento para a aprovação da reforma. Agora, vi muitas declarações nesse período genéricas. Todo mundo que quis discutir pontos específicos da reforma e que trouxe sugestões concretas de mudança do texto teve a sua resposta, ou de porque não podia [alterar] ou acatamento da prefeitura da sugestão que foi colocada.

BN – Eu queria voltar a um ponto ainda sobre a relação com a Câmara. O senhor comentou que a relação tinha que ser em "altíssimo nível". Tinham vereadores na gestão anterior que cobravam cargos de merendeira, porteiro etc. Eu queria comparar para saber se houve mudança no comportamento dos vereadores com o Executivo.

ACM Neto – Eu prefiro evitar comparações com o que acontecia no passado. Até porque, eu não estava na prefeitura. Eu prefiro falar do presente e do futuro, de uma relação, como eu disse, de altíssimo nível que vai ser estabelecida do Executivo com o Legislativo. Antigamente os vereadores não tinham o tempo necessário para o debate, as condições necessárias para trazer sugestões sobre as matérias e para discutir. Tanto que muito se legislava por emendas. Boa parte dessas emendas era do Executivo e os vereadores eram apenas instrumento delas. Agora não. Nós estamos chamando para que desde o começo os vereadores possam construir. Recebi aqui vários vereadores. O vereador Edvaldo Brito, por exemplo, quantas vezes esteve comigo e o secretário da Fazenda discutindo alterações no texto? E fruto de sugestões trazidas por ele o texto vai sofrer alterações. Não só ele, mas vários outros vereadores. Eu acho que essa é uma mudança significativa nesta relação.

BN – Partindo da relação com a Câmara para o PTN, ainda, que é a esfera da Secretaria de Educação. O Ministério Público recomendou a suspensão do programa Alfa e Beto e o secretário João Carlos Bacelar disse que vai tentar convencer a promotora Rita Tourinho em relação à importância da aplicação do programa. Teve algum avanço em relação ao diálogo entre a prefeitura e o Ministério Público?

ACM Neto – Primeiro, é importante frisar que o programa Alfa e Beto foi adotado a partir de uma pesquisa minuciosa que eu, o secretário João Bacelar e a subsecretária Tereza Pontual, que inclusive teve a experiência no Rio de Janeiro, fizemos no Brasil do que é que estava trazendo melhor resultado em termos de incremento de aprendizado para os alunos. Isso foi o que motivou a decisão pelo programa Alfa e Beto, que é um programa estruturado de ensino. Segundo, nós tornamos facultativa à rede [municipal de ensino] a aplicação deste programa. Os professores que quiseram aderir, aderiram, e os que não quiseram aderir continuaram tendo a alternativa de usar o programa do governo federal. Terceiro ponto, o que é que nós estamos propondo ao Ministério Público? Que aguarde a avaliação dos resultados da implantação do programa e um compromisso eu posso assumir com a cidade, com a responsabilidade de prefeito. Se o programa não der resultados, se na avaliação os alunos não demonstrarem um bom desempenho, a gente elimina o programa.

BN – Esses resultados seriam anuais. No caso, o Ministério Público teria que aguardar um ano... 

ACM Neto – Sim, até porque a secretaria vai agora implantar um programa de avaliação bimestral da rede, e isso vai valer para os quatro anos do período administrativo. Além dessa avaliação bimestral, você tem a avaliação do Ideb, que é uma avaliação do governo federal.

BN – Aí seria avaliado de forma diferente?

ACM Neto – Todos os alunos da rede vão ser avaliados, os que estão no programa e os que não estão no programa.

BN – Aí haverá uma comparação?

ACM Neto – Aí você vai ver. Se um aluno partiu de uma base em que a média dele era 2, se a média dele passou a ser 4, ele teve avanço. Se ele tinha uma média 4 e passou a ser 5 ou 6, então ele vai ser avaliado a partir de uma base que ele tinha e verificando aonde ele pôde chegar.

BN – Ainda sobre o Ministério Público, mas mudando de assunto, houve um acordo com o procurador-geral de Justiça, Wellington César Lima e Silva, e foi apresentado ao desembargador José Edivaldo Rotondano um pedido de concessão de alguns pontos da Louos [Lei de Ordenamento do Uso e Ocupação do Solo] e do PDDU para que a prefeitura possa executar algumas obras para a Copa do Mundo. Agora, ficou de fora o Conselho da Cidade. Com o PDDU aprovado em 2012 subjúdice, o plano de 2008 é o que está valendo e tem lá que o colegiado é deliberativo, ou seja tem poder de decisão sobre determinadas intervenções. O prefeito concorda que o Conselho da Cidade seja deliberativo ou ainda vai solicitar mais alguma medida para que a agilidade dessas obras não seja "atrapalhada"?

ACM Neto – Nós vamos aplicar exatamente o que está valendo na lei. Eu sou obrigado a cumprir a lei. E qual vai ser o contorno disso? Vai ser a decisão do desembargador. Somente a decisão do desembargador, que determina a modulação, é que vai dar clareza do que é que está valendo do PDDU de 2008, do que é que está valendo, aliás, dos dois PDDUs de 2012 [também PDDU da Copa]. A partir do pronunciamento do desembargador, nós vamos cumprir a lei.

BN – Na passagem da CTS  [Companhia de Transportes de Salvador] para o governo do Estado, ficou acordado que a Estação da Lapa ficaria com a prefeitura. Nós recebemos muitas reclamações de usuários de que o equipamento aparentemente sofreria riscos e as pessoas ficam intranquilas em utilizá-lo. Quando haverá uma intervenção na Estação da Lapa?

ACM Neto – Na última terça-feira (21), eu fiz uma reunião com a Secretaria de Urbanismo e Transporte. Nesta semana vamos apresentar um plano emergencial para a Lapa, que implica em intervenções de curto prazo, como limpeza, iluminação e reforço de segurança com a guarda municipal. Vamos fazer a vistoria nas alças da estação e estamos avaliando quanto custa a recuperação das escadas rolantes. Estou com o projeto quase pronto, que vai ser encaminhado para a Câmara de Vereadores, discutindo a concessão. Então, qual é a ideia? É a gente fazer a concessão, de imediato, da Estação da Lapa. Continua sendo propriedade da prefeitura, mas vai ser explorada pela iniciativa privada. Vai ter um novo empreendimento ali, de elevadíssimo porte, que vai transformar a Lapa na mais moderna estação de ônibus do Brasil.

BN – Para quando isso?

ACM Neto – Então, o prazo é apenas o prazo de votação do projeto de concessões na Câmara de Vereadores e depois o prazo de fazer a licitação. Nós queremos mandar o projeto no mês de junho à Câmara. Aprovado o projeto de concessões, a gente pode de imediato fazer a concorrência e aí é o prazo da licitação. O meu desejo é que ainda neste ano de 2013 nós tenhamos concluído o processo de licitação, para que a gente possa ter o concessionário da Lapa identificado. Este concessionário vai ter obrigações de curto prazo, ele vai ter que chegar já fazendo uma mudança completa, e a nossa estimativa é de que serão necessários 18 meses para que a Lapa esteja completamente modificada.

BN – Ela vai fechar nesse período?

ACM Neto – Não, ela não vai fechar. As obras vão acontecer concomitantemente, mas logo que se identifique um concessionário, ele vai fazer intervenções expressivas para dar qualidade total no serviço. E aí ele vai ter esse prazo de 18 meses, ou um pouco mais, para refazer totalmente a estação.

BN – Tem alguma novidade quanto a concorrência do transporte público?

ACM Neto – Tem. Nós estamos na fase final. Nas últimas duas semanas eu fiz três reuniões para discutir o modelo da licitação. Ele já está bastante maduro e o meu desejo é que até julho este edital esteja na rua.

BN – Sobre o Elevador Lacerda, o senhor pensa em fazer um modelo de concessão semelhante ao da Estação da Lapa?

ACM Neto – Ainda não há um pensamento nessa direção. Nós agora já demos a ordem de serviço para a recuperação do Plano Inclinado Gonçalves. Eu estou com a licitação para a recuperação do Plano Inclinado da Liberdade e já estamos fazendo a modernização das outras duas cabines do Elevador Lacerda que não haviam sido feitas. Nós temos duas cabines funcionando modernizadas e as outras duas cabines serão modernizadas agora.

BN – Em relação a mobilidade urbana, já que falamos em transportes, tanto o secretário José Carlos Aleluia quanto o superintendente da Transalvador, Fabrizzio Muller, dizem que a Lei de Carga e Descarga volta ainda este mês.

ACM Neto – Nesta semana eu apresento.

BN – A minuta do decreto está pronta, então? 

ACM Neto – Está pronta.

BN – Quais são as novidades?

ACM Neto – Nós procuramos validar isso com as entidades da economia de Salvador, porque não dá para você desconsiderar, mas você vai ter localidades da cidade com restrição de carga e descarga em determinados horários do dia e você vai ter também restrição até do trânsito de caminhões em determinados horários do dia, em certas regiões da cidade. Isso tudo vai ser detalhado esta semana.

BN – Na terça-feira, na coletiva que vai falar de intervenções no trânsito?

ACM Neto – Das várias intervenções no trânsito, inclusive nesta intervenção. Aí nós vamos anunciar as passarelas que nós vamos construir, reorganização de vias, eliminação de semáforos...
BN – Vai haver inversão de fluxo? Fabrizzio quando esteve com a gente falou desta possibilidade.

ACM Neto – Vai. Nós estamos faseando [fazendo por fases] as intervenções. Das intervenções importantes, nós vamos fazer o recapeamento da Avenida Paralela e implantar cinco em vez de quatro faixas. Essa é uma das novidades que vão surgir aí.

BN – A Guarda Municipal será armada quando? Foi uma promessa de campanha.

ACM Neto – Nós estamos com um estudo já pronto. O coronel Edson passou todo esse tempo fazendo o estudo, que era necessário, e é provável que a gente redefina o papel da Guarda. Eu não posso antecipar isso porque eu preciso, primeiro, trabalhar dentro da corporação. Redefinido o papel da Guarda, o que vai permitir, inclusive, uma ampliação da presença da Guarda nas ruas, automaticamente a gente inicia o processo de treinamento, qualificação e armamento.

BN – Como está a situação da reorganização dos ambulantes, que havia uma polêmica em relação à desocupação das passarelas?

ACM Neto – Começa agora na Avenida Sete. Nós já determinamos e a Desal vai fazer a obra. Nós vamos recuperar diversos espaços urbanos da Avenida Sete até a Lapa e vamos padronizar o comércio informal. Ou seja, nós vamos ter ambulantes e camelôs padronizados nesse novo espaço requalificado. O Sebrae vai entrar com cursos de melhoria na condição técnica de trabalho e a ideia é que eles possam se tornar microempreendedores: empreendedores individuais. Nós vamos começar pela Avenida Sete, mas em seguida nós vamos fazer na praça em frente ao [shopping] Iguatemi, na rodoviária, Rótula da Feirinha, em Cajazeiras, e Calçada.

BN – Na formação desse novo partido – o MD – voltou à tona um assunto que a gente tinha discutido no Bahia Notícias antes de o senhor ser eleito prefeito. O senhor disse que não seria candidato a governador se fosse eleito prefeito. A gente queria ouvir a garantia, 100%, de que o senhor não vai ser candidato a governador e que não adianta a oposição não conseguir se articular porque ACM Neto vai ser prefeito, pelo menos, nesses quatro primeiros anos.

ACM Neto – Cem por cento. Não só porque dei minha palavra, e eu sou cumpridor das minhas palavras, mas principalmente porque os problemas de Salvador não serão resolvidos em um ano e três meses. Eu sempre coloquei isso de maneira muito clara e franca. Na verdade, tudo o que nós estamos fazendo vai ter impacto mais significativo a partir do fim de 2015 e começo de 2016. É o momento em que as coisas vão começar a se materializar. Os grandes projetos da prefeitura vão levar de 24 a 28 meses: o projeto viário que eu vou apresentar, que a gente está buscando financiamento com o governo federal, transforma inteiramente a cidade, atacando a principal artéria de congestionamento em Salvador; o projeto do Centro Administrativo [municipal, no Vale dos Barris]; o projeto da nova Estação da Lapa; o projeto social que nós estamos estruturando, que é uma outra coisa importante; a Linha Viva, que a gente quer fazer a concessão... Tudo isso vai existir, de fato, vai sair do imaginário, do projeto e da obra e vai se transformar em realidade, no final de 2015 e início de 2016, Então, eu não posso preparar toda essa base e não desfrutar dos resultados de um momento de muito sacrifício. Porque agora é desgaste, agora é dificuldade, agora é dizer não a muita gente, agora é ver o problema e não ter condições de resolver. Eu jamais faria isso.

BN – Vários aliados políticos seus dizem que o senhor seria o melhor nome e, inclusive, apontam pesquisas feitas no interior que comprovariam a tese. O deputado estadual Elmar Nascimento, líder da oposição na Assembleia Legislativa e um dos formadores do MD, fala que o senhor diz que permaneceria prefeito por uma vontade do povo, mas que o próprio povo mostraria, em pesquisas, que gostaria de ver ACM Neto como governador.

ACM Neto – O fato é que essa hipótese não existe. Repito que o meu dever e a minha responsabilidade com Salvador é muito grande. Eu fui eleito em um momento de grande expectativa das pessoas. Não estou fazendo aqui um governo para jogar para a torcida. Podia estar fazendo um governo para jogar para a torcida. Podia estar fazendo um governo sem a preocupação de ajustar o orçamento, por exemplo. Podia estar fazendo um governo com várias medidas populistas, o que me permitiria chegar no ano que vem popularmente muito bem. Não. O meu caminho não é esse. O meu caminho é o de enfrentar dificuldades, de enfrentar as resistências, de comprar desgaste, até de perder popularidade para fazer o que tem que ser feito e colher o resultado disso no futuro.

BN – Quem o senhor acha, então, que seria o candidato da oposição para disputar o governo ano que vem?

ACM Neto – Eu acho que é cedo para falar. Eu tenho dedicado muito pouco tempo para falar sobre política. Hoje eu estou muito assoberbado pela agenda administrativa e não tenho nem tido tempo para conversar com os meus colegas deputados, amigos e tal. Não tenho tido tempo para isso e há essa compreensão do mundo político de que eu realmente tenho que estar dedicado e concentrado nas coisas de Salvador. Agora eu acho que é cedo para especular. Eu acho que qualquer conversa sobre 2014 só vai começar a acontecer de maneira mais consistente a partir do fim do ano e início do próximo. Qualquer opinião que eu dê nesse momento sobre nomes, se eu entrar na fulanização, eu posso correr o risco de excluir alguém que seja uma alternativa concreta lá na frente. Este é o momento de eu me preocupar em governar a cidade.
BN – Mas, para a Presidência da República, todo mundo sabe da sua relação com o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e os nomes estão postos. O senhor correria o risco de não apoiar Aécio em detrimento de uma candidatura à reeleição de Dilma Rousseff (PT) ou mesmo um projeto alternativo de Marina Silva ou Eduardo Campos (PSB)?

ACM Neto – Bom, primeiro eu acho que é cedo para dizer que o cenário está definido. Pode ser que o cenário não esteja definido. Segundo ponto, há uma precipitação muito grande, uma antecipação, da eleição federal. Agora, eu, a priori, estou aberto a conversar com todo mundo. Eu acho que a política é feita de conversas. Não descarto a hipótese de dialogar com nenhuma das correntes que se colocarem como postulantes ao cargo de presidente da República. Evidentemente que eu tenho uma história, eu tenho amigos e eu tenho um ambiente político no qual me forjei. Tudo isso vai ser pesado, mas eu não posso me negar a conversar com ninguém.

BN – Até mesmo Dilma Rousseff e o PT?

AN – Quando eu digo 'com ninguém', é com ninguém.

Fonte: Bahia Notícias